Quinta-feira, 02 Julho 2026

Abraço das Ilhas

Júlio Rendall: Toponímia ao gosto do freguês

Em Cabo Verde e particularmente no Sal poucas são as ruas com topónimos e numeração das casas o que dá a ideia de uma cidade e vilas desorganizadas, desreguladas, atrasadas. Numa ilha turística seria de bom tom este item, esta forma de organizar uma cidade que se quer moderna e organizada, fazer parte das responsabilidades das Autoridades Camarárias. Mas, ainda estamos em plena Idade Média com este atraso na organização toponímica de uma pequena cidade, com pouco mais de 15 mil habitantes.

Em pleno Sec. XXI, na era das TIC e agora com a chegada da IA não temos capacidade de organizar as nossas vilas e cidades? A Câmara Municipal do Sal, em tempos longínquos, identificou algumas ruas, nomeadamente as ruas 1° de Maio, Rua da Juventude, Rua de Toi Pedro, Rua de S. Nicolau, Rua Albertino Fortes e outras poucas mais. Há uns anos atrás criou-se uma Comissão de Toponímia do Sal pelo que existia ou deve existir um Regulamento Oficial publicado no B.O. que deve fazer a boa gestão deste assunto para facilitar a vida aos seus habitantes e visitantes.

Como órgão consultivo da Câmara Municipal do Sal, a Comissão de Toponimia e Honoríficas devia ou melhor deve ser consultada para propor e analisar a atribuição de nomes às ruas, praças e outros arruamentos da ilha. Nem sempre tem sido assim e a maior parte das vezes essas atribuições são assumidas directamente pela Câmara Municipal do Sal ou pelo seu Presidente, sem consultar a referida Comissão. Segundo sei, a mesma já nem funciona por razões várias, nomeadamente por alguns membros terem solicitado a sua desvinculação por não concordarem com os desmandos.

Mas o que causa também alguma preocupação não são os nomes escolhidos, mas, sim, a desorganização e a péssima colocação das placas, que devem ou deviam obedecer a regras. Estranho que o Gabinete Técnico continue a deixar a Câmara Municipal do Sal cometer tantos equívocos na colocação das placas de identificação das ruas, pois vêm sendo colocadas no meio das artérias em lugares não adequados e pouco visíveis.

Em Cabo Verde, as placas de identificação de ruas seguem ou deviam seguir a regra padrão usada na maior parte dos países lusófonos: Devem ser coladas do lado direito da rua, no sentido de entrada da mesma. Detalhes práticos:

  1. Na esquina: A placa fica no canto da esquina, no lado direito para quem está a entrar na rua. Assim quem vira para a rua já vê o nome de frente.
  2. Altura: Cerca de 2,2m a 2,5m do chão, para não ser tapada por carros e estar à altura da vista do peão/motorista.
  3. Duas placas por esquina: O ideal é ter 1 placa em cada lado da rua, para quem vem dos dois sentidos.
  4. Para ruas sem saída: Coloca a placa no início da rua, sempre do lado direito.

 

Porquê do lado direito:

É o padrão internacional porque a maioria dos países tem trânsito à direita. Assim o condutor/peão vê a placa antes de entrar na rua, sem ter que olhar para trás. A instalação de placas de sinalização viária devem ser em alumínio com fundo verde e letras brancas, fixadas a 2,2m ou 2,5 m de altura no lado direito das esquinas.

Outra coisa é a moda de dar nome a uma rua ou a um edifício e aparecer escarrapachado na placa o nome do membro do Governo, do Presidente da Câmara e demais acompanhantes. Acho ridículo este hábito e uma atitude saloia esta prática, que fez escola no País, com governantes e autarcas a quererem se promover na sombra dos homenageados. Afinal o nome das rua, das avenidas, dos estádios e demais edifícios deve destacar a pessoa e não alguém que, circunstancialmente, descerrou a placa do edifício feito à custa do erário publico.

Tags

Partilhar esta notícia

×