Precisamos diversificar as nossas fontes de geração e desenvolvimento económico e financeiro com a criação e fomento de nichos de mercado rentáveis. Temos um clima estável durante 365 dias, estamos cercados pelo mar, somos dez ilhas, cada uma com a sua diversidade paisagística. Se apostarmos no desenvolvimento do desporto náutico com um leque variado de modalidades que não sejam apenas kite surf, wind surf, talvez possamos diversificar a nossa oferta. As modalidades de vela não são exploradas em Cabo Verde, sendo que têm bastantes adeptos no mundo e fazem parte de competições a nível internacional.
Utilizam apenas o vento e velas para movimentar as embarcações, como monocascos ou multicascos. Por que não desenvolvermos canoagem e remo: envolvem o uso de barcos específicos impulsionados por remos ou pagaias. O custo está na aquisição e manutenção destes barcos específicos, para a instalação de uma modalidade que podia atrair muitos praticantes nacionais e internacionais. Além dos tradicionais desportos náuticos, podíamos apostar em organizar provas regionais nas modalidades de vela nas várias baías protegidas que temos pelas ilhas.
Veja-se o exemplo das regatas de botes organizadas na Boa Vista que, com mais apoios, poderiam transformar-se numa grande atração turística com a sua promoção junto dos hotéis, colocação de bancadas em pontos estratégicos para conforto dos espectadores e gerar de receitas. A Baía do Mindelo, em tempos idos, recebia classes de vela monotipo com barcos leves de tamanho padronizado, ideais para iniciação de competições individuais ou em dupla a nível internacional.
Podia-se também organizar anualmente uma regata interilhas com iates dotados de vela oceânica e paragens obrigatórias em todas as ilhas com início no Porto Grande do Mindelo e término na Baía de Santa Maria. Também reunimos condições para que sejam organizadas provas de pesca desportiva com o epicentro no Banco de Nova Holanda a nordeste da ilha do Sal para captura de espécies identificadas e abertas à inscrição internacional.
No mais, as modalidades como futebol, futsal, voleibol, andebol, basquetebol precisam de ser encaradas com atividades profissionalizantes, com elevado índice de sucesso nas ilhas e particularmente no Sal. Exige-se mais profissionalismo dos clubes, associações e federações. O sucesso dos Tubarões Azuis é o resultado da organização. Outra modalidade em que o cabo-verdiano tem propensão nata é o atletismo, já com provas dadas ao longo dos anos. A ilha do Sal tem dado provas neste quesito.
O Centro de Alto Rendimento na ilha do Sal, a ser instalado brevemente, poderá ser uma forma de alavancarmos o desporto e oferecer melhores condições aos atletas. No Sal, temos o Centro de Estágio da Federação, que precisa de melhorias significativas para que as camadas jovens possam ter condições de aperfeiçoamento das suas capacidades. Temos igualmente o Centro de Estágio do Académico do Aeroporto do Sal, que bem aproveitado, será uma mais-valia e já com provas dadas na modalidade de natação com a sua piscina semiolímpica que tem gerado campeões.
A ilha do Sal tem todas as condições de poder atrair mais provas internacionais, mas tem de ter um plano consistente e sustentável a curto e médio prazo. Devemos também fomentar a prática do golfe e melhorar o campo já existente por forma a atrairmos jogadores de topo internacional e valorizarmos o destino. Sal tem potencialidades que precisam de ser exploradas.