Segunda-feira, 01 Junho 2026

11ª Ilha

“Stória pa Mininus”: literatura bilingue para reforçar laços com o crioulo

O projeto literário “Stória pa Mininus” já tem uma versão bilingue (crioulo cabo-verdiano/inglês). Segundo a autora ─ Karolina Abramowicza ─, esta nova edição responde a uma procura antiga de famílias cabo-verdianas residentes nos Estados Unidos e noutros países anglófonos. A coleção, que inclui vários contos clássicos ─ tais como “Sinderela”, “Prinseza y Ervilha”, “Patinhu Feiu”, “Gatu di Bota”, “Djon ku Maria”, “Tres Porkinhu” e “Kapuxinhu Burmedju” ─, foi concebida especialmente para crianças cabo-verdianas nascidas e criadas no estrangeiro, muitas das quais vivem, estudam e socializam predominantemente em inglês.

Uma grande “inspiração” para criar esta edição surgiu da experiência do professor cabo-verdiano Eliseu Tavares, que, nos Estados Unidos da América, utilizava as histórias em crioulo nas suas aulas de inglês. Os livros agora editados, acredita Karolina Abramowicz, poderão servir como uma “ponte natural entre as duas línguas”, facilitando a aprendizagem do crioulo de forma “leve e afetiva”.

A tradução para inglês contou ainda com a revisão de Małgorzata Kwiatkowska, licenciada em Estudos Ingleses, residente nos Estados Unidos há mais de duas, o que permitiu garantir não apenas qualidade linguística mas também adequação da linguagem ao público infantil. Para a autora, os livros bilingues podem desempenhar um papel importante tanto para as crianças da diáspora como para os seus pais. Enquanto ajudam os mais novos a manter contacto com a língua e a cultura cabo-verdianas, podem também apoiar crianças recentemente emigradas no “processo de adaptação e aprendizagem do inglês”.

A coleção mantém igualmente uma preocupação com a diversidade e representatividade, contendo personagens “femininas e masculinas, princesas, animais e protagonistas muito diferentes entre si” , sem esquecer o valor “educativo e moral importante” de muitos dos contos. Questionada sobre a crescente valorização da língua cabo-verdiana na sociedade, Karolina reconhece avanços significativos na sua presença nos espaços públicos, “na música, nos eventos culturais, nas redes sociais, no meio académico e no discurso público”. Considera, contudo, que apesar do “orgulho crescente” o reconhecimento simbólico tem de se traduzir em medidas concretas que garantam ao crioulo um estatuto oficial.

A autora defende que a língua cabo-verdiana deveria estar presente desde os primeiros anos da escolaridade básica, argumentando que diversos estudos internacionais demonstram os benefícios da aprendizagem na língua materna para o desenvolvimento cognitivo e para o sucesso escolar. “O crioulo cabo-verdiano não pode continuar a ser visto apenas como a língua da casa ou da rua. É também uma língua de cultura, de conhecimento, de educação e de cidadania. Deve ocupar plenamente o seu lugar nos espaços públicos e caminhar para uma posição de igualdade com a língua portuguesa.”, afirma a autora.

Os livros podem ser adquiridos diretamente junto da autora. A coleção completa de dez títulos em crioulo cabo-verdiano está disponível por 85 euros, enquanto a versão bilingue língua cabo-verdiana-inglês custa 100 euros, mais portes de envio.

As obras encontram-se igualmente à venda em vários pontos físicos em Cabo Verde, Portugal, França e Estados Unidos.

Para mais informações consulte https://linktr.ee/undi_kunpra.

Nota da Redação: esta notícia foi produzida com a colaboração da estagiária Bruna Castro. 

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