Terça-feira, 16 Junho 2026

11ª Ilha

“Stória pa Mininus”: literatura bilingue para reforçar laços com o crioulo

O projeto literário “Stória pa Mininus” já tem uma versão bilingue (crioulo cabo-verdiano/inglês). Segundo a autora ─ Karolina Abramowicza ─, esta nova edição responde a uma procura antiga de famílias cabo-verdianas residentes nos Estados Unidos e noutros países anglófonos. A coleção, que inclui vários contos clássicos ─ tais como “Sinderela”, “Prinseza y Ervilha”, “Patinhu Feiu”, “Gatu di Bota”, “Djon ku Maria”, “Tres Porkinhu” e “Kapuxinhu Burmedju” ─, foi concebida especialmente para crianças cabo-verdianas nascidas e criadas no estrangeiro, muitas das quais vivem, estudam e socializam predominantemente em inglês.

Uma grande inspiração para esta edição foi Eliseu Lopes Tavares, amigo Karolina Abramowicz, professor de inglês — anteriormente na escola de Chã de Tanque e atualmente nos Estados Unidos — que utilizava as suas histórias em crioulo como ferramenta para ensinar inglês aos seus alunos. “Isso mostrou-me que estes livros podiam tornar-se também um recurso educativo bilingue muito útil”, afirma Karolina Abramowicz, que vê nessas publicações uma “ponte natural entre as duas línguas” e uma ferramenta de aprendizagem do crioulo de forma “leve e afetiva”.

A versão inglesa foi revista por Małgorzata Kwiatkowska, amiga de Karolina Abramowicz, licenciada em Estudos Ingleses, residente nos Estados Unidos há mais de vinte anos e mãe de duas crianças. Isso permitiu não só garantir a qualidade da tradução, mas também adaptar o tom e a linguagem ao público infantil a quem os livros se destinam. Enquanto ajudam os mais novos a manter contacto com a língua e a cultura cabo-verdianas, podem também apoiar crianças recentemente emigradas no “processo de adaptação e aprendizagem do inglês”.

A coleção mantém igualmente uma preocupação com a diversidade e representatividade, contendo personagens “femininas e masculinas, princesas, animais e protagonistas muito diferentes entre si” , sem esquecer o valor “educativo e moral importante” de muitos dos contos. Questionada sobre a crescente valorização da língua cabo-verdiana na sociedade, Karolina reconhece avanços significativos na sua presença nos espaços públicos, “na música, nos eventos culturais, nas redes sociais, no meio académico e no discurso público”. Considera, contudo, que apesar do “orgulho crescente” o reconhecimento simbólico tem de se traduzir em medidas concretas que garantam ao crioulo um estatuto oficial.

A autora defende que a língua cabo-verdiana deveria estar presente desde os primeiros anos da escolaridade básica, argumentando que diversos estudos internacionais demonstram os benefícios da aprendizagem na língua materna para o desenvolvimento cognitivo e para o sucesso escolar. “O crioulo cabo-verdiano não pode continuar a ser visto apenas como a língua da casa ou da rua. É também uma língua de cultura, de conhecimento, de educação e de cidadania. Deve ocupar plenamente o seu lugar nos espaços públicos e caminhar para uma posição de igualdade com a língua portuguesa.”, afirma a autora.

Os livros podem ser adquiridos diretamente junto da autora. A coleção completa de dez títulos em crioulo cabo-verdiano está disponível por 85 euros, enquanto a versão bilingue língua cabo-verdiana-inglês custa 100 euros, mais portes de envio.

As obras encontram-se igualmente à venda em vários pontos físicos em Cabo Verde, Portugal, França e Estados Unidos.

Para mais informações consulte https://linktr.ee/undi_kunpra.

Nota da Redação: esta notícia foi produzida com a colaboração da estagiária Bruna Castro. 

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