Terça-feira, 19 Maio 2026

11ª Ilha

Julgamento da morte de Odair Moniz: PJ diz que imagens nunca mostram faca

A última testemunha a depor no julgamento relativo à morte de Odair Moniz foi ouvida esta segunda-feira no Tribunal de Sintra. A inspetora-chefe da Polícia Judiciária (PJ) responsável pela coordenação da investigação foi categórica: as câmaras de videovigilância não registam, em nenhum momento, a presença de uma arma branca, e a equipa de investigação não foi alertada para a existência de qualquer faca quando chegou ao local do incidente.

“É a minha convicção que não existiu uma arma branca”, declarou a responsável, explicando o raciocínio que sustenta essa posição. Segundo a inspetora-chefe, se Odair Moniz estivesse de facto a empunhar uma faca, seria expectável que o objeto fosse visível após a queda da vítima — o que não acontece nas imagens. Acresce que a faca não apresenta quaisquer vestígios biológicos e que ninguém a mencionou na fase inicial das diligências.

A investigadora relatou ainda que, quando a equipa da PJ chegou ao bairro da Cova da Moura, na Amadora, não houve qualquer referência, por parte dos agentes da PSP presentes, à utilização de uma arma branca por parte da vítima. A faca só foi localizada mais tarde, durante a análise do local, no chão, junto dos pertences de Odair Moniz. “O que é habitual num cenário destes é afastar a faca imediatamente, acondicioná-la e sinalizá-la, por se tratar de um objeto letal”, sublinhou, dando a entender que esse procedimento não ocorreu.

No que respeita à tentativa de detenção, a inspetora-chefe reconheceu, com base nas imagens recolhidas, que Odair Moniz agrediu os agentes e resistiu ativamente à captura, descrevendo-o como “violento”. Ainda assim, considerou que os dois polícias “estavam com receio e não estavam a conseguir efetuar a detenção”.

Odair Moniz, cidadão cabo-verdiano de 43 anos, residente no Bairro do Zambujal, na Amadora, morreu a 21 de outubro de 2024, após ter sido baleado pelo agente da PSP Bruno Pinto na sequência de uma perseguição motivada por uma infração rodoviária. De acordo com a acusação deduzida pelo Ministério Público a 29 de janeiro de 2025, a vítima foi atingida por dois projéteis: o primeiro no tórax, disparado a uma distância entre 20 e 50 centímetros, e o segundo na zona da virilha, a entre 75 centímetros e um metro de distância. O despacho de acusação não faz qualquer referência a ameaça com arma branca da parte de Odair Moniz.

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