
Catorze famílias de Achada Bolanha, no concelho de São Miguel, receberam ontem as chaves de novas habitações sociais, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva. O projeto, que custou 37 mil contos, insere-se na estratégia do Governo para facilitar o acesso à habitação digna a famílias e jovens cabo-verdianos.
Em declarações à imprensa no local, o chefe do Governo sublinhou o impacto significativo destas habitações para famílias com dificuldades de acesso ao mercado imobiliário, bem como para jovens que pretendem constituir família e alcançar autonomia habitacional.
Ulisses Correia e Silva esclareceu que as 14 casas inauguradas são as primeiras de um conjunto mais alargado previsto para o município de São Miguel, destacando a disponibilidade de terrenos cedidos pela Câmara Municipal ao Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IFH) para dar continuidade ao programa de habitação social na região. O investimento total, que ronda os 37 mil contos, inclui não apenas a construção das habitações, mas também os arranjos exteriores necessários para garantir condições adequadas de habitabilidade.
O primeiro-ministro explicou que o modelo habitacional adotado respeita o modo de vida das comunidades rurais cabo-verdianas, privilegiando moradias térreas integradas no ambiente local. As casas dispõem de quintais, espaços de vizinhança e todas as condições adequadas para o bem-estar, conforto e dignidade das famílias. “O modelo é pensado para o meio rural, respeitando os hábitos, tradições e o modo de vida das comunidades”, afirmou o governante, sublinhando a importância de soluções habitacionais que se adequem à realidade local.
O chefe do Governo enquadrou esta inauguração no esforço nacional desenvolvido desde 2017, que visa construir mais de 1.800 habitações sociais em todo o país, sem contar as casas destinadas ao alojamento de famílias na Boa Vista e no Sal.
Para 2026, o Governo prevê a construção de mais de mil habitações sociais, já contempladas no Orçamento do Estado, com o objetivo claro de reduzir o défice habitacional no país.
Ulisses Correia e Silva destacou ainda as medidas complementares implementadas pelo Executivo para facilitar o acesso à habitação, nomeadamente o Crédito Jovem, cuja bonificação de juros pode atingir os 55%, bem como os fundos de garantia do Estado, que facilitam o acesso ao financiamento bancário.
Estas soluções incluem renda resolúvel, aquisição de habitação concluída ou construção de casa própria, adaptadas às condições económicas das famílias cabo-verdianas, criando condições reais para que mais famílias possam ter acesso a uma habitação digna.
Além de Calheta de São Miguel, decorrem atualmente obras de habitação social nos municípios de São Lourenço dos Órgãos e Santa Catarina, nomeadamente em Rincão, com previsão de entrega já no próximo mês de fevereiro.
A inauguração ocorrida nesta quarta-feira, diz o Governo, reforça o seu compromisso do Governo de dar resposta às necessidades habitacionais das famílias cabo-verdianas, particularmente aquelas com maiores dificuldades económicas e os jovens que procuram autonomia para iniciar a sua vida familiar.












































