Terça-feira, 17 Março 2026

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Sal: Projeto “+Saúde +Mulher” quer rastrear e tratar VPH em 10 mil mulheres

O presidente da África Avanza revelou nesta segunda-feira, 16, na ilha do Sal, que o programa “+Saúde +Mulher” pretende abranger cerca de 10 mil mulheres, assegurando não só o diagnóstico mas também o tratamento imediato de lesões precursoras do cancro do colo do útero.

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Em declarações à imprensa, à margem da apresentação oficial da iniciativa, Iñaki Gascón explicou que o projeto tem como público-alvo mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 65 anos. O objetivo, sublinhou, é oferecer “tranquilidade” fazendo as mulheres saber se são portadoras do Vírus do Papiloma Humano (VPH) e, em caso positivo, receber acompanhamento especializado.

De acordo com os dados técnicos apresentados, o projeto utiliza o equipamento de última geração GeneXpert, instalado no Laboratório de Virologia do Sal. A tecnologia permite obter resultados em pouco mais de uma hora, representando uma mudança “drástica” face ao modelo anterior, que implicava o envio de citologias para Lisboa, com custos elevados para muitas famílias.

“As mulheres que testarem positivo serão encaminhadas para médicos ginecologistas da África Avanza para realizar um tratamento por calor, a termoablação, que impede a progressão do vírus para cancro do colo do útero”, afirmou Iñaki Gascón., que assegurou também que o projeto-piloto, em curso desde meados de 2025, já apresenta resultados significativos.

“Já realizámos 600 testes. Destes, 23% das utentes testaram positivo para o vírus. Até ao momento, conseguimos realizar 55 tratamentos por termoablação, o que representa 40% dos casos positivos detetados que necessitavam de intervenção”, detalhou o presidente da África Avanza.  O financiamento inicial é assegurado pelo grupo RIU Hotels & Resorts, responsável pelo fornecimento dos kits de colheita, cartuchos de análise e software de registo de dados. O programa conta ainda com uma equipa de 83 ginecologistas voluntários do Hospital Universitário de Cruces, em Bilbau (Espanha), que se deslocarão ao Sal de dois em dois meses para missões de tratamento.

Alinhado com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, o projeto tem um ciclo inicial de cinco anos. Embora esteja atualmente concentrado na Delegacia de Saúde dos Espargos, a organização admite expandir as ações para outras localidades da ilha, como Santa Maria e Palmeira, e, futuramente, replicar o modelo na ilha da Boa Vista.

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