Quinta-feira, 02 Abril 2026

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S. Miguel: Novo foco de esquistossomose detetado levanta dúvidas sobre origem da infeção

O cientista cabo-verdiano Maximiano Fernandes confirmou na terça-feira, 31 de março, que permanece por esclarecer a origem do novo surto de esquistossomose que surgiu na localidade de Ribeira de Principal, no concelho de São Miguel, ilha de Santiago.

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Segundo o investigador do grupo Bioanalítica, os casos agora identificados estão associados ao parasita Schistosoma haematobium, o mesmo detetado no primeiro surto registado no país. No entanto, sublinhou que os novos infetados não tiveram contacto com a zona anteriormente afetada, o que levanta incertezas quanto à fonte de contaminação.

Até ao momento, foram confirmados nove casos, todos em crianças da localidade de Mato Dento, identificados no âmbito de um inquérito epidemiológico desencadeado após a deteção de um primeiro caso. Durante as investigações no terreno, foram encontrados reservatórios de água com presença de caracóis do género Bulinus, conhecidos por serem hospedeiros intermediários do parasita e facilitarem a sua propagação.

O especialista alertou que o controlo da doença é complexo, devido à dependência de fatores ambientais e biológicos que favorecem a transmissão, e explicou que a esquistossomose é contraída, sobretudo, através do contacto com água contaminada, podendo provocar sintomas como irritações cutâneas, febre, dores abdominais, náuseas e diarreia.

Perante o cenário, Maximiano Fernandes apelou à população para evitar o contacto com águas suspeitas e procurar assistência médica em caso de exposição, de modo a garantir diagnóstico e tratamento precoces. O investigador defendeu ainda a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica e intensificar as campanhas de sensibilização, considerando que a ocorrência deste segundo foco evidencia riscos reais de propagação da doença na ilha.

Recorde-se que, em fevereiro, o cientista já havia alertado para a possibilidade de o parasita ter completado o seu ciclo de vida em Cabo Verde, admitindo que a sua introdução possa estar ligada a casos importados de países da África Ocidental, como Senegal, Guiné-Bissau e Gâmbia.

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