
Com Álvaro Ludgero Andrade, em Washington D.C.
Uma coligação para “Cultivar o futuro juntos” é a proposta feita pela primeira-dama dos Estados Unidos a mais de 40 colegas numa cimeira que terminou nesta quarta-feira, 25, em Washington, e na qual Melania Trump defendeu “acelerar a nossa nova aliança global para impactar positivamente o progresso das nossas crianças”. Débora Katisa Carvalho, primeira-dama de Cabo Verde, uma das intervenientes no encontro na capital americana, sublinhou a importância de “proteger as crianças em tempo de Inteligência Artificial (IA) e num mundo digital ameaçador através da formação de país, professores e escolas.”
A iniciativa, que registou a presença de representantes de 11 países africanos, foi lançada por Melania Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2025, mas só agora, nos dias 24 e 25 deste mês, ela ganhou corpo. Na próxima fase, cabe às demais participantes responder e apresentar propostas e ideias para a coligação.
“A nossa visão partilhada prioriza as crianças acima da filosofia política, das fronteiras geográficas e dos preconceitos locais”, afirmou a primeira-dama americana na abertura do evento, na terça-feira, 24, sublinhando que “juntas podemos expandir o acesso à educação e à tecnologia e equipar a próxima geração com as competências necessárias para o sucesso.”
Ela enfatizou a importância das parcerias globais e reafirmou o seu compromisso de garantir que “as crianças tenham a oportunidade de aprender, crescer e prosperar num mundo digital em rápida evolução”. Melania Trump sublinhou que a coligação visa “cultivar as competências que os jovens necessitam para ter sucesso neste mundo em rápida evolução” e reforçou que perseguirá seus objectivos com “programas de aprendizagem inovadores, políticas educativas de apoio, nova legislação focada na tecnologia e parcerias sólidas entre os sectores público e privado”.
Ao se dirigir às suas colegas convidadas, Melania Trump destacou: “cada um de vós tem um papel vital a desempenhar na definição das oportunidades de educação tecnológica para a próxima geração”. Nesse sentido, ela convidou as participantes a “acolher uma reunião regional, a conduzir um estudo sobre o tema da proteção das crianças, a promover novas parcerias e a colaborar com outros países na vossa região do mundo”.
Nos dois dias de trabalho em Washington, as primeiras-damas debateram vários temas como ferramentas de tecnologia educativa, Inteligência Artificial na educação, segurança e proteção online e literacia digital. Ao intervir na cimeira, a primeira-dama de Cabo Verde reforçou a preocupação das demais com o ambiente em que as crianças irão aprender, nomeadamente em casa e na escola. “É um problema sério e tempos de formar tanto pais, como professores para lidar com o digital, em especial a IA”, afirma Débora Katisa Carvalho, para quem a família e a escola “têm de estar preparadas para este novo tempo”.
Carvalho pergunta, em jeito de reflexão, “se as famílias estão preparadas para ensinarem a utilização, sobretudo com responsabilidade, por parte das crianças, da IA?”. Em segundo lugar, ela realça a necessidade de um “novo modelo de professor, que não se limite a passar conhecimentos, mas a estar presente nesse processo”. No caso de Cabo Verde, a primeira-dama fala em “repensar a escola como um espaço contínuo de aprendizagem”, mas reconhece haver ainda muito por fazer, embora “tenhamos já, por exemplo, 40 escolas com laboratório digital, enquanto outras têm algum equipamento, mas falta muito”.
Débora Katisa Carvalho lembrou que quando criança “brincávamos na rua, em frente às nossas casas e as nossas avós, tias, vizinhas constituíam um sistema de vigilância e segurança, mas agora a ameaça está dentro de casa e nas mãos das nossas crianças”. Ela remata haver um “trabalho sério a ser feito”. Num mundo onde o crime assentou arraiais na esfera digital, emerge a “necessidade” de “fazedores da paz, cidadãos que sejam capazes de pacificaram este mundo, onde as crianças sofrem com cyberbullying e muitas estão viciadas no digital”, sublinha a primeira-dama de Cabo Verde.
Refira-se que durante a cimeira, Melania Trump apresentou um sistema humanoide de fabrico americano, o Figure3. “O futuro da IA é ‘personificado’ – será formado sob a forma de humanos. Muito em breve, a inteligência artificial passará dos nossos telemóveis para humanoides que oferecem utilidade”, afirmou a primeira dama americana, para quem os “humanoides serão capazes de interagir diretamente com os utilizadores em ambientes do mundo real”.
Além das primeiras-damas, participaram na cimeira decisores políticos e líderes do sector privado.












































