
O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, endereçou uma carta aos homólogos de 20 países africanos ribeirinhos do Atlântico, propondo o reforço da cooperação bilateral e regional para fazer face aos crescentes desafios ambientais marinhos na região.
A iniciativa surge na sequência da recente missão do Chefe de Estado à Reserva Natural Integral de Santa Luzia, realizada a 21 de março, no âmbito das suas funções como Patrono da Aliança da Década do Oceano e Champion da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África.
Durante a visita, acompanhada por representantes do corpo diplomático, organismos internacionais e pela coordenadora residente do sistema das Nações Unidas, Patrícia Portela de Sousa, o Presidente constatou no terreno uma “realidade alarmante”, marcada pela acumulação sistemática de resíduos plásticos nas costas do país, transportados pelas correntes do Atlântico.
Na missiva, José Maria Neves alerta que cerca de 75% do lixo marinho, composto por redes, cordas e boias, tem origem na pesca industrial, afetando gravemente a fauna endémica e zonas críticas de nidificação, como as utilizadas por tartarugas marinhas na ilha de Santa Luzia, considerada um dos mais importantes locais de reprodução a nível mundial.
O Chefe de Estado sublinha que o problema do lixo marinho não se limita a Cabo Verde, tratando-se de um desafio transfronteiriço que compromete a saúde dos oceanos e a sustentabilidade das economias azuis.
“Neste sentido, propõe o fortalecimento da cooperação entre os países da região, assente em princípios como a harmonização de políticas de gestão de resíduos, o incentivo ao uso de materiais de pesca mais sustentáveis e a integração de cláusulas de responsabilidade ambiental nos acordos de pesca”, Presidente da Republica.
Outra das propostas passa por uma atuação concertada nos fóruns internacionais, nomeadamente nas conferências sobre o oceano, com vista à mobilização de soluções globais e financiamento para mitigar os impactos da poluição marinha.
Na carta, datada de 26 de março, o Presidente manifesta ainda o desejo de uma “imprescindível colaboração” entre os Estados africanos ribeirinhos do Atlântico para alcançar o objetivo comum de “o Oceano que queremos” até 2030.
As cartas foram enviadas, entre outros, aos chefes de Estado da África do Sul, Angola, Senegal, Nigéria, Marrocos e Gana, abrangendo um conjunto de nações com responsabilidades partilhadas na preservação do espaço marítimo atlântico africano.












































