Quarta-feira, 11 Fevereiro 2026

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Japão financia criação de centro de apoio a vítimas de violência de género na Praia

A Embaixada do Japão e a Associação Cabo-Verdiana de Combate à Violência de Género (ACLCVBG) assinaram esta quarta-feira o contrato de doação para o “Projeto de Construção de um Centro de Formação Profissional para Vítimas de Violência de Género na Cidade da Praia”. O acordo prevê um investimento de aproximadamente 6,72 milhões de escudos (61.000 euros), financiado através do programa japonês de “Assistência aos Projetos Locais que contribuem para a segurança humana” (APL).

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A cerimónia de assinatura contou com a presença do Embaixador do Japão, Akamatsu Takeshi, e da Presidente da ACLCVBG, Vicenta Fernandes, que destacou a importância histórica do momento para as mulheres cabo-verdianas.     

“Este centro representa muito mais do que um edifício. Ele será um espaço de acolhimento, proteção e reconstrução”, afirmou Vicenta Fernandes durante a cerimónia. A presidente da associação sublinhou que o novo centro será um lugar onde as vítimas poderão encontrar apoio psicológico, orientação jurídica, formação profissional e práticas de autonomia.  

Fernandes considerou a assinatura do protocolo como “uma prenda de valor incalculável” para todas as mulheres e famílias que enfrentam o flagelo da violência, marcando o início de uma sólida parceria entre Cabo Verde e o Japão na luta contra a violência baseada no género.

O Embaixador Akamatsu Takeshi reconheceu que a violência contra as mulheres representa um grande desafio para a cidade da Praia, classificando-a como “uma grave violação da dignidade humana e dos direitos fundamentais”. Os números são alarmantes: em 2024, foram registrados 2.098 casos de violência contra mulheres em Cabo Verde.

“A violência é uma grave violação da dignidade humana e dos nossos direitos fundamentais, e a sua eliminação é uma prioridade absoluta”, declarou o embaixador japonês, destacando o alinhamento do projeto com o Plano Nacional de Desenvolvimento de Cabo Verde, que tem a igualdade de género como prioridade.

O novo centro será construído no bairro de Terra Branca, na Praia, num terreno de 200 metros quadrados propriedade da ONG. O edifício de uso social será constituído por três pisos, com uma área bruta de 200 metros quadrados no rés-do-chão, totalizando 165 metros quadrados de área construída em estrutura de concreto armado.

Até agora, as atividades da ACLCVBG têm sido limitadas por restrições financeiras, particularmente pelos custos de arrendamento. A associação tem sido forçada a recusar cerca de 150 candidatas por ano devido à falta de espaço, além de não conseguir garantir abrigo para acolher mulheres em situação de emergência.

Com a construção das instalações próprias, o centro permitirá uma gestão mais estável e a expansão significativa dos serviços. As expectativas são ambiciosas:

O novo espaço possibilitará oferecer formação profissional em áreas como costura, estética e informática para 450 mulheres vítimas por ano, promovendo sua autonomia económica e reintegração social. A poupança feita com o aluguer será redirecionada para oferecer formação prática em competências essenciais no mercado de trabalho atual.

Além da formação, o centro funcionará como abrigo de emergência, com capacidade para acolher até oito pessoas em situações urgentes, proporcionando um local seguro para mulheres em risco de vida.

O embaixador Takeshi vinculou o projeto aos compromissos assumidos na TICAD 9 (Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África), realizada em Yokohama em agosto passado, onde o Japão e os países africanos reafirmaram a importância da segurança humana, do empoderamento das mulheres e da promoção da agenda “Mulheres, Paz e Segurança”.

“Apoiar as mulheres para que se libertem do medo da violência e se tornem autossuficientes é fundamental para a segurança humana defendida pela diplomacia japonesa”, afirmou o embaixador, considerando o projeto como um símbolo duradouro da amizade entre o Japão e Cabo Verde.

O diplomata prestou ainda homenagem aos membros da ACLCVBG, que há anos apoiam mulheres em situação de vulnerabilidade, expressando a esperança de que o novo centro seja “o ponto de partida para uma nova vida para muitas mulheres”.

O projeto conta com a parceria da Embaixada do Japão, da Associação Cabo-Verdiana de Combate à Violência de Género e da Câmara Municipal da Praia, que cedeu o terreno destinado à construção do centro, reforçando o compromisso institucional com a promoção da igualdade, da proteção social e do desenvolvimento comunitário.

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