Segunda-feira, 12 Janeiro 2026

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Praia produz 250 toneladas de lixo por dia, diz vereador de Saneamento e Ambiente

O município da Praia, o maior do país, enfrenta um desafio ambiental significativo ao produzir diariamente cerca de 250 toneladas de lixo. A informação foi avançada sábado, 10, pelo vereador de saneamento e ambiente da Câmara Municipal, Carlos Dias, que defende a necessidade urgente de mais meios financeiros para melhorar a recolha de resíduos sólidos.

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Com uma população estimada em 250 mil habitantes, a capital cabo-verdiana produz aproximadamente 1 kg de lixo per capita por dia. “É muito lixo para uma cidade”, afirmou o vereador Carlos Dias, reconhecendo que “só a Câmara Municipal não consegue” enfrentar sozinha este desafio.

O Aterro Intermunicipal, situado em Valde da Custa, em São Domingos, atende toda a Ilha de Santiago, com exceção do Tarrafal, e tem um horizonte temporal de funcionamento de cerca de 30 anos. No entanto, segundo o vereador, é fundamental uma gestão correta para evitar problemas futuros. A responsabilidade pela gestão do aterro está a cargo da Câmara Municipal da Praia.

Outro passo importante, segundo Carlos Dias, é a maior concertação entre os três municípios que compõem a região metropolitana de Santiago Sul. “Estamos a trabalhar no sentido de começar a ter um plano de recolha a nível dos três concelhos de Santiago Sul. Vamos poupar meios, dinheiro, podemos comprar caminhões conjuntamente, contentores também conjuntamente”, explicou o vereador.

A separação do lixo deverá ser um dos próximos passos na capital, acompanhado por campanhas de educação e sensibilização da população. “Temos que começar a ensinar as pessoas como separar o lixo em casa”, defendeu Carlos Dias, explicando que não faz sentido criar ecopontos se o lixo for depois transportado no mesmo caminhão para o mesmo destino.

O vereador esclareceu ainda que a Câmara Municipal não faz reciclagem diretamente, mas cria condições para que as pessoas e empresas o possam fazer. Segundo Carlos Dias, já existem várias empresas interessadas em desenvolver atividades de reciclagem na cidade.

Para além dos meios financeiros, o vereador sublinhou a importância crucial da educação ambiental. “Meio financeiro é importante, mas educação também é extremamente importante, porque com os poucos meios que temos, se tivesse uma população que ajudasse um pouco mais seria muito melhor”, afirmou.

Carlos Dias destacou comportamentos inadequados de parte da população, como o pagamento a pessoas vulneráveis para deitar lixo em locais impróprios, ou o uso inadequado de papeleiras no centro da cidade. “Lá no platô, por exemplo, temos papeleiras. As pessoas vão lá com caixas de lixo, bolsas de lixo, e tentam meter dentro da papeleira à força. E se não entra, deixam lá no chão”, lamentou o vereador.

“É uma questão de educação, mas vamos trabalhar nesse sentido”, concluiu Carlos Dias, reforçando que lixo não rima com desenvolvimento nem com ambiente saudável, e que uma cidadania ativa também passa por cuidar bem dos resíduos, em benefício da cidade-capital que pertence a todos.

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