Sexta-feira, 06 Março 2026

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Praia: HUAN intensifica controlo auditivo neonatal

O Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) está a reforçar a aposta no rastreio auditivo desde a maternidade, com o objetivo de identificar precocemente casos de surdez infantil em Cabo Verde e garantir intervenção atempada. 

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A iniciativa foi destacada esta segunda-feira, 03, na Cidade da Praia, durante uma ação promovida pelo Serviço de Otorrinolaringologia do hospital, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Audição, assinalado anualmente a 3 de março.

A atividade decorreu na sede da Associação Cabo-verdiana de Surdos, em Achada Santo António, e envolveu cerca de 30 crianças e jovens com problemas auditivos, 13 do ensino primário e 17 do ensino secundário. A equipa médica realizou avaliações auditivas, acompanhamento clínico e manutenção de aparelhos, considerada essencial para o desempenho escolar e social dos utilizadores.

Segundo a médica otorrinolaringologista Carmen Almeida, responsável pelo serviço no HUAN, o hospital pretende garantir que todas as crianças nascidas com défice auditivo sejam identificadas ainda nos primeiros dias de vida. No entanto, reconheceu que muitos casos chegam aos serviços apenas aos três ou quatro anos, o que pode limitar determinadas intervenções.

A especialista explicou que a perda auditiva pode resultar de fatores genéticos, infeções durante a gravidez, complicações no parto, uso de certos medicamentos ou doenças como meningite. Quando o diagnóstico é feito precocemente, existem soluções eficazes, como aparelhos auditivos e, em casos específicos, implante coclear, procedimento recomendado antes do desenvolvimento da fala e acompanhado de terapia especializada.

Carmen Almeida alertou ainda para o uso excessivo de auscultadores por crianças e adolescentes, e apela à vigilância dos pais perante sinais como volume elevado da televisão, fala alta ou dificuldades de comunicação.

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que, em 2021, a deficiência auditiva afetava 1,8% da população com cinco ou mais anos no país, com maior incidência entre mulheres e residentes em meio urbano.

Desde 2021, Cabo Verde tem promovido rastreios comunitários, sessões clínicas e ações de sensibilização para assinalar a data, recebendo certificados internacionais de participação entre 2022 e 2025.

Fonte: Inforpress

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