
Uma obra em construção junto à linha de água, na Praia de São Francisco, na cidade da Praia, está a gerar preocupações ambientais e leva a Lantuna a defender a sua demolição, alegando potenciais impactos negativos no ecossistema costeiro.
A diretora executiva da organização, Ana Veiga, afirmou esta quinta-feira, 26, que a proximidade da construção ao mar e o recurso a betão poderão provocar poluição do areal durante a fase de execução.
“Não é chegar e construir sem iniciar uma avaliação holística, porque naquela praia também há uma ONG, uma associação comunitária de Vale da Custa, que já há mais de 10 anos vem trabalhando”, pontuou, reiterando a necessidade de avaliar os impactos ambientais.
Segundo explica, a intervenção ocupa “áreas sensíveis” que desempenham um papel essencial na retenção de água, na proteção da vegetação nativa e na dinâmica natural da areia da praia. A responsável alerta ainda para a extração de inertes nas imediações da obra, cuja responsabilidade não está claramente definida, mas que poderá agravar os impactos ambientais.
Ana Veiga defende que o empreendimento deveria ter sido precedido de um estudo de impacto ambiental e de um processo de consulta pública, envolvendo associações locais que, há mais de dez anos, trabalham na proteção das tartarugas marinhas naquela zona.
“Nós não concordamos e achamos que deverá ser demolido. Mesmo que fosse de madeira, a localização não é adequada, porque ali é uma zona húmida temporária”, afirmou, acrescentando que, pese embora Cabo Verde tenha uma legislação fortalecida quanto à conservação das tartarugas e das ovas, é necessária maior concertação institucional.
De acordo com a ambientalista, o tipo de construção e a sua localização não respeitam as diretrizes do plano de ordenamento da zona costeira em elaboração para Santiago, sublinhando que se trata de uma zona húmida temporária.
A dirigente reitera que o desenvolvimento deve ser sustentável e compatível com a preservação ambiental, defendendo maior articulação institucional na gestão das áreas costeiras. Segundo a mesma fonte, a obra encontra-se atualmente embargada.
Fonte: Inforpress












































