
A cidade da Praia acolhe entre hoje, 25 de março, e amanhã, 26 , o Primeiro Encontro Nacional dos Pontos Focais de Farmacovigilância, uma iniciativa promovida pela Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) que pretende consolidar o sistema de monitorização da segurança dos medicamentos em Cabo Verde.
A iniciativa enquadra-se ainda no programa de vigilância e segurança inteligente apoiado pela União Europeia e inclui sessões dedicadas à análise de casos práticos, identificação de riscos e definição de respostas mais eficazes no contexto nacional.
O encontro reúne profissionais de diversas áreas do setor da saúde e insere-se na estratégia de reforço da rede nacional de farmacovigilância, considerada essencial para garantir a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos utilizados no país.
Na abertura do evento, a administradora executiva da ERIS, Patrícia Alfama, destacou que a iniciativa surge da importância de garantir um trabalho contínuo de capacitação, reforço institucional e melhoria de processos. Sublinha que os pontos focais desempenham um papel central no sistema, sendo responsáveis pela recolha, análise e transmissão de informações sobre possíveis reações adversas a medicamentos.
Segundo a responsável, o encontro foi concebido como um espaço estruturado para fortalecer competências técnicas, harmonizar práticas e promover a partilha de experiências entre profissionais. Ao mesmo tempo, pretende criar um espaço de escuta ativa, capaz de orientar melhorias contínuas no funcionamento do sistema nacional.
Por sua vez, a representante da Organização Mundial da Saúde em Cabo Verde, Ann Lindstrand, considera o encontro um marco importante para o reforço da segurança do doente e da saúde pública. A responsável advoga que a farmacovigilância constitui um pilar essencial de qualquer sistema de saúde resiliente que permite identificar riscos e agir atempadamente.
Ann Lindstrand defende ainda que uma autoridade reguladora forte é determinante para assegurar a qualidade e eficácia dos produtos de saúde, mas alerta que o funcionamento do sistema depende, sobretudo, de profissionais capacitados, comprometidos e bem articulados.
Na mesma linha, o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, afirma que Cabo Verde tem vindo a dar passos significativos neste domínio, destacando a criação do Sistema Nacional de Farmacovigilância como prova do compromisso com padrões internacionais.
O governante considera que o encontro representa mais do que uma ação técnica, assumindo-se como um sinal de maturidade institucional e de reforço da responsabilidade do Estado na proteção da saúde pública. Reitera ainda que, num contexto de crescente complexidade do sistema de saúde, a farmacovigilância deve deixar de ser vista como uma função complementar para passar a ocupar um lugar central nas políticas públicas.
Durante os dois dias de trabalho, os participantes vão refletir sobre os principais desafios da farmacovigilância no país, discutir situações concretas e identificar soluções que contribuam para melhorar a monitorização dos medicamentos e a capacidade de resposta a eventuais riscos.
O encontro pretende, assim, consolidar uma rede nacional mais forte e articulada, capaz de transformar informação recolhida no terreno em decisões eficazes, para reforçar a confiança no sistema de saúde e a proteção dos cidadãos.












































