
O Presidente da República, José Maria Neves, apelou hoje, 25, à redefinição dos modelos tradicionais de desenvolvimento e defendeu a Economia Azul como um dos principais vetores de transformação económica para os países costeiros africanos.
O Chefe de Estado cabo-verdiano participa na IV Conferência Sinergia, que decorre em Angola e reúne decisores políticos, investidores, representantes da comunidade científica, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais para debater políticas públicas orientadas para o desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos e costeiros na sub-região da África Austral.
José Maria Neves sublinha que a intensificação das alterações climáticas, a crescente pressão sobre os recursos naturais e a necessidade de diversificação das estruturas produtivas nacionais impõem a obrigação de repensar os modelos de crescimento. O Presidente destacou ainda que o oceano emerge não apenas como um ativo ambiental, mas como uma fronteira estratégica de crescimento sustentável, inovação tecnológica e cooperação internacional.
O chefe de Estado partilhou a experiência de Cabo Verde na governação e nas políticas públicas para a dinamização da Economia Azul, sublinhando que para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, este setor constitui um dos principais motores de transformação económica e de reforço da resiliência climática. José Maria Neves lembrou também que em Cabo Verde, com mais de 99% do território constituído por espaço marítimo, o mar representa simultaneamente um elemento estruturante da identidade histórica e cultural e um ativo económico de elevado potencial.
Ademais, defendeu que a simples existência de recursos marinhos não garante a geração de prosperidade económica, afirmando que a transformação desse potencial em benefícios tangíveis para as populações depende da qualidade das políticas públicas, da robustez do quadro institucional e da eficácia dos mecanismos de governação.
Como prioridades, José Maria Neves destaca o combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, daí, defendeu o reforço dos sistemas de monitorização, controlo e vigilância, a adoção de tecnologias inovadoras de rastreamento e a intensificação da cooperação regional, bem como a inclusão das comunidades costeiras nestas cadeias de valor como forma de reduzir as desigualdades sociais e reforçar a coesão territorial.
Entretanto, destaca a capacitação dos recursos humanos como um pilar fundamental do processo, investindo na formação profissional e técnica para os setores marítimos, a integração da Economia Azul nos currículos escolares e universitários e o reforço do papel das universidades e centros de investigação.












































