Quarta-feira, 14 Janeiro 2026

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PM inaugura Monumento da Liberdade e da Democracia: “Os monumentos fazem com que a nossa história perdure”

O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, inaugurou ontem, 13 de janeiro, o Monumento da Liberdade e da Democracia, numa cerimónia integrada nas comemorações dos 35 anos da Liberdade e da Democracia em Cabo Verde. Na sua intervenção, o chefe do Governo sublinhou que os monumentos têm a função de valorizar a história e preservar a memória coletiva, recordando que há países onde esculturas e estátuas atravessam séculos, guardando narrativas fundamentais da construção das nações.

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Ulisses Correia e Silva destacou o simbolismo do 13 de janeiro de 1991, frisando que a data não representa apenas a realização das primeiras eleições multipartidárias, mas, sobretudo, a instauração do regime democrático, assente na dignidade da pessoa humana, na liberdade política, de expressão e de imprensa, bem como na cidadania política, incluindo o direito de voto e de elegibilidade dos cabo-verdianos da diáspora.

O Primeiro-Ministro referiu ainda a criação do poder local autónomo, a liberdade económica e a economia de mercado como pilares do novo regime, afirmando que foi a democracia que permitiu a Cabo Verde afirmar-se como um Estado de direito, onde “ninguém está acima da lei, seja titular de cargo político ou simples cidadão”.

Num contexto internacional marcado por instabilidade, populismo e ataques à democracia liberal, Ulisses Correia e Silva considerou que a posição de Cabo Verde nos rankings internacionais da democracia, das liberdades, da boa governação e da estabilidade constitui uma “bênção rara”, que deve ser protegida e reforçada. Defendeu ainda que é essa reputação democrática que sustenta a confiança dos cidadãos, dos parceiros de desenvolvimento, dos investidores e das instituições financeiras internacionais.

O governante apelou ao reforço do compromisso nacional com a liberdade e a democracia, sublinhando que o crescimento económico robusto que o país ambiciona deve acontecer em democracia, por ser essa a escolha de Cabo Verde enquanto nação.

O monumento foi implantado na confluência da Avenida Aristides Pereira, primeiro Presidente da República do regime de partido único, e da Avenida António Mascarenhas Monteiro, primeiro Presidente da República do período democrático, num local carregado de simbolismo histórico e político.

O Monumento da Liberdade e da Democracia apresenta uma estrutura escultórica com seis pétalas metálicas, atingindo 17 metros de altura. A estrutura é composta por aço estrutural de alta resistência, do tipo S355, com 12 milímetros de espessura, de secção variável, contraventada entre si e encastrada na fundação, garantindo robustez e durabilidade face às condições climáticas, nomeadamente aos ventos.

No total, a obra integra cerca de 60 toneladas de aço e 500 metros cúbicos de betão. As pétalas foram revestidas com pinturas de alta qualidade e elevada resistência, concebidas para enfrentar os efeitos da corrosão e dos agentes químicos da atmosfera local.

Cada pétala metálica, constituída por tiras verticais, possui dez luminárias na parte superior, numa referência simbólica às dez ilhas de Cabo Verde, representadas por anéis de luz LED. A escultura, valorizada por iluminação artística, integra-se na paisagem urbana como um marco visual e identitário.

De acordo com o texto conceptual apresentado, a obra reinterpreta simbolicamente a bandeira nacional como uma planta viva, unindo os valores das duas bandeiras históricas de Cabo Verde num espírito de união e conciliação nacional. As pétalas coloridas evocam uma espiga que brota de uma ilha fértil, simbolizando a forma alegre e unida com que o povo cabo-verdiano abraçou a democracia e a liberdade.

Durante a sessão de inauguração, foi igualmente esclarecido que o projeto sofreu uma alteração pontual, por recomendação da Autoridade da Aviação Civil, em articulação com as entidades competentes, no quadro das exigências de segurança aeroportuária.

A alteração visou mitigar os riscos associados à concentração de aves, tendo sido suprimido o espelho de água inicialmente previsto. Em sua substituição, a plataforma envolvente ao monumento passou a ser revestida com relva, garantindo a segurança operacional e mantendo a coerência estética do conjunto.

O projecto é da autoria do arquiteto Rui Carvalho, tendo contado com a colaboração de diversas entidades e equipas técnicas, às quais foram dirigidos agradecimentos durante a cerimónia pela qualidade dos materiais e soluções adotadas, assegurando resistência, durabilidade e segurança da obra.

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