
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) usou a primeira sessão plenária do mês de março na Assembleia Nacional para apelar a todas as forças políticas a assumirem um compromisso público de moderação e redução dos gastos nas campanhas eleitorais das próximas eleições legislativas de 2026.
A declaração política foi proferida pelo deputado João Santos Luís, presidente do partido e eleito por São Vicente, que defendeu uma reflexão que classificou como “necessária, responsável e sobretudo urgente para o momento que Cabo Verde atravessa”.
O parlamentar da UCID sublinhou que o país atravessa um período particularmente sensível, com o aumento do custo de vida a pesar cada vez mais no orçamento das famílias, nomeadamente em bens essenciais como alimentação, energia e transporte.
Além disso, recordou que várias ilhas ainda não recuperaram totalmente dos estragos causados pelas tempestades tropicais Erin e Cláudia, que afetaram municípios de Santiago, São Vicente, São Nicolau e Santo Antão. “Quem pede sacrifícios ao povo deve ser o primeiro a dar o exemplo”, afirmou o deputado.
O apelo da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) foi dirigido especialmente aos dois principais partidos que têm alternado no poder nos últimos 50 anos de independência em Cabo Verde, o Movimento para a Democracia (MpD) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), apelando a um entendimento político que promova maior responsabilidade nas campanhas eleitorais.
Nesse sentido, a UCID defendeu a necessidade de medidas concretas como a “redução voluntária das despesas de campanha”, “maior transparência na origem e utilização dos recursos financeiros” e “campanhas mais centradas no debate de ideias e menos dependentes de mobilizações dispendiosas”.
João Santos Luís defendeu que “a força de um partido não se mede pelo tamanho dos seus palcos, mas pela credibilidade das suas ideias”, e que uma campanha mais moderada seria um sinal de maturidade democrática e de respeito pelas dificuldades dos cidadãos.
O deputado deixou ainda um apelo final: “Que as eleições legislativas de 2026 sejam lembradas não pelas campanhas mais caras, mas pelo momento em que a política escolheu estar à altura do povo cabo-verdiano.”












































