
O paciente submetido ao primeiro transplante renal realizado em Cabo Verde deverá ter alta hospitalar ainda esta semana, enquanto a dadora já recebeu alta e encontra-se em casa, informou o médico nefrologista Hélder Tavares, do Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto.
As declarações foram feitas este domingo, durante uma entrevista à Televisão de Cabo Verde, na qual o especialista avançou que o doente está a evoluir de forma “muito favorável”, o que permite perspetivar a sua alta hospitalar nos próximos dias.
Relativamente aos riscos de rejeição do órgão, Hélder Tavares explicou que esta possibilidade é minimizada através de exames rigorosos realizados antes da cirurgia, com o objetivo de garantir a máxima compatibilidade entre dador e recetor.
“Fazemos uma série de exames para garantir a máxima compatibilidade entre o dador e o recetor, permitindo assim uma maior sobrevida do rim que o paciente vai receber”, afirmou.
Ainda assim, o médico sublinhou que a rejeição é um processo natural do organismo, sendo controlado através de acompanhamento regular e exames laboratoriais que permitem detetar precocemente qualquer sinal de complicação.
Após a alta, o paciente continuará a ser seguido de forma contínua, enquanto a dadora poderá retomar a sua vida normal, devendo apenas cumprir os cuidados habituais pós-cirúrgicos e realizar um acompanhamento médico periódico, pelo menos uma vez por ano.
Já o recetor terá de manter um seguimento mais rigoroso, uma vez que estará sujeito a medicação que reduz a resposta do sistema imunitário. Nos primeiros três meses, deverá evitar aglomerações, usar máscara e proteger-se da exposição solar intensa, de forma a prevenir infeções.
Ultrapassado este período, poderá retomar gradualmente a sua rotina normal, com a vantagem de deixar de depender da hemodiálise, que até então realizava três vezes por semana no hospital.
Questionado sobre a existência de uma lista de espera para transplante renal no país, o especialista indicou que, em teoria, todos os pacientes em diálise são potenciais candidatos, sobretudo tendo em conta que muitos se encontram em idade jovem, desde que disponham de um dador compatível.
O médico esclareceu ainda que, de acordo com a legislação nacional, o dador deve ser um familiar até ao terceiro grau de parentesco e que o processo deve resultar de uma decisão voluntária, livre de qualquer tipo de pressão.
Hélder Tavares considerou que esta intervenção pioneira representa um avanço significativo para o país, trazendo benefícios tanto para os pacientes, que passam a ter melhor qualidade de vida, como para o sistema nacional de saúde, ao reduzir os custos associados ao tratamento da doença renal crónica.
Recorde-se que o primeiro transplante renal da história de Cabo Verde foi realizado a 24 de Março de 2026, no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, marcando um novo capítulo na medicina nacional.












































