
Combatente da Liberdade da Pátria e principal locutora da Rádio Libertação durante a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amélia Rodrigues de Sá e Sanches de Figueiredo Araújo, faleceu esta quinta-feira, 19 de fevereiro, na cidade da Praia, aos 92 anos.
Natural de Luanda, Angola, de origem cabo-verdiana, Amélia Araújo nasceu a 11 de agosto de 1933. No seio do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) tornou-se uma das figuras mais marcantes da luta armada, destacando-se como produtora, animadora e locutora principal da Rádio Libertação, estação que iniciou emissões em 1967 e que se constituiu como o principal instrumento de comunicação da resistência.
Foi através dos seus programas “Comunicado de Guerra” e “Programa do Soldado Português” que Amélia Araújo conquistou o reconhecimento como uma das protagonistas da guerra psicológica travada contra o poder colonial. Os seus programas provocaram inúmeras deserções entre os militares portugueses e abalaram o moral das forças de ocupação, tornando-a numa figura temida pelo inimigo e admirada pelas populações da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
O seu protagonismo na Rádio Libertação valeu-lhe o título de “Senhora do Canhão de Boca da Luta”, expressão atribuída ao líder Amílcar Cabral para descrever o poder da palavra como arma de libertação. A sua voz era reconhecida e admirada por milhares de cabo-verdianos e guineenses que tinham na rádio a única forma de acompanhar as ações da luta armada.
O Presidente da República, José Maria Neves, reagiu ao falecimento de Amélia Araújo numa mensagem publicada na sua página oficial nas redes sociais, manifestando profundo pesar pelo desaparecimento físico da Combatente da Pátria.
“Presto a minha homenagem à Combatente, que se armou até os dentes, literalmente, para, por palavras, lutar contra a subjugação e deu tudo de si para a reconstrução de Cabo Verde no pós-independência”, escreveu o Chefe de Estado, que considerou Amélia Araújo e os seus contemporâneos como os “cabouqueiros da República”.
José Maria Neves sublinhou que “a melhor forma de os homenagearmos é continuarmos, agora, a consolidar as liberdades e a democracia e a catalisar a transformação socioeconómica de Cabo Verde, visando a prosperidade e a justiça social”. Concluiu a sua mensagem com as palavras: “Cabo Verde está de luto”.
Após a independência nacional, Amélia Araújo continuou ao serviço de Cabo Verde, assumindo funções públicas e emprestando a sua vasta experiência e profissionalismo ao desenvolvimento do País. Em 2015, por ocasião do 40.º Aniversário da Independência Nacional, o então Primeiro-Ministro José Maria Neves condecorou-a com o Primeiro Grau da Medalha de Serviços Distintos, em reconhecimento pela sua “abnegação e bravura” e dedicação à causa nacional.
“É bom lembrar as pessoas como Amélia Araújo, que através da Rádio Libertação desferiu duros golpes sobre aqueles que nos queriam subjugar e através da palavra conseguiu transmitir aos combatentes guineenses e cabo-verdianos na clandestinidade uma ligação à luta armada”, afirmara José Maria Neves na cerimónia de condecoração.
A família recebe condolências, e Cabo Verde, a Guiné-Bissau e todos os que lutaram pela liberdade choram a perda de uma figura insubstituível. A Redação endereça as suas sentidas condolências à família, amigos e a todos os Combatentes da Liberdade da Pátria.












































