Quinta-feira, 09 Abril 2026

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“Mobilidade não é só viajar, é construir pontes” — Mónica Cosas destaca oportunidades na AME

A produtora cultural e curadora brasileira Mónica Cosas defendeu, no Atlantic Music Expo 2026, que a mobilidade artística no espaço lusófono deve ir além da simples circulação de artistas, destacando a importância de programas estruturados que promovam criação, intercâmbio e cooperação cultural.

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Durante a conferência sobre mobilidade artística entre Cabo Verde, Brasil e Portugal, a especialista apresentou mecanismos concretos de apoio, com destaque para programas desenvolvidos em parceria entre a Ibermúsicas e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, destinados sobretudo a artistas e produtores dos PALOP.

“Essa linha é para vocês, é para vocês usarem, para vocês viajarem”, afirmou, sublinhando que estes apoios permitem não apenas cobrir passagens aéreas, mas também financiar residências artísticas, investigação e projetos colaborativos.

Segundo explicou, ao contrário de outros programas mais limitados, estas iniciativas oferecem maior flexibilidade e impacto. “Mobilidade não é só passagem aérea. Pode cobrir outros custos e permitir criar, investigar e desenvolver projetos fora do país”, destacou.

A conferencista deu como exemplo a realização de residências artísticas, onde músicos de diferentes países podem trabalhar em conjunto durante semanas. “Vamos juntar quatro ou cinco artistas, passar um mês a criar um álbum e fazer essa troca direta”, explicou.

Apesar das oportunidades, Mónica Cosas apontou desafios estruturais, sobretudo os elevados custos de transporte e a falta de ligações aéreas diretas, nomeadamente entre Cabo Verde e o Brasil. “A maior barreira da mobilidade é a passagem aérea, que é muito cara”, alertou.

A responsável destacou ainda a importância de estratégias de promoção nos mercados internacionais, defendendo que os artistas devem ir além da realização de concertos pontuais. “Não adianta fazer um show e ir embora. É preciso pensar na divulgação, na promoção e no posicionamento”, afirmou.

Outro especto referido foi o papel de Portugal como ponto estratégico nas rotas de circulação artística, não só pela ligação aérea, mas também pela proximidade linguística. “A língua aproxima-nos e facilita a comunicação, apesar das diferenças culturais”, considerou.

Mónica Cosas revelou ainda que tem vindo a trabalhar na criação de pontes entre países lusófonos, promovendo a circulação de artistas como Ferro Gaita e músicos da Guiné-Bissau, dando continuidade a um trabalho iniciado há vários anos.

“Cabe a nós continuar a difundir e aproximar os países e as culturas”, concluiu, mostrando-se otimista quanto ao futuro da mobilidade artística no espaço lusófono.

O Atlantic Music Expo decorre de 06 e 09 deste mês, na cidade da Praia, reunindo artistas, delegados e profissionais da indústria musical de vários países. A programação inclui “showcases”, conferências, workshops, espetáculos na Pedonal e na Pracinha.

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