
O ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, considera grave e desproporcionada a abordagem de uma notícia divulgada por órgãos de comunicação social internacionais no dia 1 de fevereiro de 2026, que associa a morte de turistas britânicos a uma infeção contraída no país, e defende que não existem evidências epidemiológicas que sustentem essa interpretação.
Segundo o Ministério, os relatórios de vigilância epidemiológica britânicos não identificam Cabo Verde como origem significativa de casos importados recentes, sublinhando que a coincidência temporal entre uma viagem e o surgimento de uma doença não constitui, por si só, prova de causalidade. A confirmação desse nexo, refere, exige investigação laboratorial, ambiental e epidemiológica aprofundada, inexistente nos processos ainda em curso.
Em reação à publicação intitulada “Famílias de turistas britânicos mortos por infeção em Cabo Verde recorrem à Justiça”, a tutela da saúde esclarece que os dados oficiais das autoridades do Reino Unido indicam que as infeções gastrointestinais, incluindo as associadas à bactéria Shigella, apresentam baixa letalidade e não figuram entre as causas relevantes de mortalidade, ocorrendo sobretudo em pessoas com vulnerabilidade clínica.
A tutela lembra ainda que Cabo Verde registou, no período pós-pandemia, uma recuperação expressiva do setor turístico, com mais de um milhão de visitantes por ano e milhões de dormidas, sendo o Reino Unido um dos principais mercados emissores, sobretudo para a ilha do Sal. À luz deste universo, os episódios mencionados são classificados como residuais e sem impacto no perfil sanitário nacional.
O Ministério da Saúde esclarece também que os processos referidos têm natureza jurídica e dizem respeito a entidades privadas, pelo que, eventuais acusações dirigidas a cadeias hoteleiras implicam o cumprimento rigoroso das normas sanitárias nacionais.
Conforme a mesma fonte, desde finais de 2025, os serviços competentes foram acionados para averiguação técnica, envolvendo a Rede Nacional de Laboratórios, os serviços de vigilância e segurança alimentar, a Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) e a Inspeção-Geral das Atividades Económicas.
De acordo com a tutela, Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica consolidado, reconhecido por parceiros internacionais, com progressos no controlo de doenças transmissíveis, saneamento, segurança alimentar e reforço institucional.
Face aos dados disponíveis, o Ministério afirma não existirem indícios públicos de qualquer surto ativo, e reitera que continuará a atuar com rigor técnico, transparência e firmeza institucional na defesa do Serviço Nacional de Saúde e da reputação do país enquanto destino seguro.












































