Terça-feira, 05 Maio 2026

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Ilha do Sal intensifica ações para proteger tartarugas

A ilha do Sal está a implementar novos protocolos de iluminação em hotéis e empreendimentos turísticos com o objetivo de mitigar o impacto da poluição luminosa na sobrevivência da Caretta caretta, espécie que registou um recorde histórico de nidificação na ilha.

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A medida surge num contexto de forte crescimento turístico, em que a luz artificial é apontada como uma das principais ameaças à biodiversidade local. Cabo Verde concentra atualmente cerca de 15% dos ninhos de tartaruga cabeçuda a nível mundial, sendo que só a ilha do Sal contabilizou, em 2024, mais de 36.500 ninhos.

A particularidade do Sal, onde praticamente todas as praias são locais de desova, incluindo zonas próximas de resorts, tem gerado uma tensão constante entre o desenvolvimento turístico e a conservação ambiental. Um estudo científico publicado em Fevereiro de 2025 na revista Regional Environmental Change confirmou que a ilha apresenta a maior sobreposição entre áreas vulneráveis à luz artificial e zonas com elevada densidade de ninhos.

A coordenadora científica da associação, Kirsten Fairweather, descreve a situação como um paradoxo: “as tartarugas estão a trabalhar mais para um retorno menor”, alertando que o aumento do número de ninhos pode mascarar um desgaste biológico causado pela pressão humana e ambiental.

Com a implementação dos novos protocolos de iluminação, autoridades e organizações esperam preservar o estatuto da ilha do Sal como um santuário seguro para a tartaruga cabeçuda, promovendo simultaneamente um modelo de turismo mais sustentável e responsável.

A poluição luminosa é considerada um fator crítico, uma vez que desorienta tanto as fêmeas como as crias, afastando-as do oceano e reduzindo significativamente as suas probabilidades de sobrevivência. Para responder a este desafio, a Projeto Biodiversidade tem reforçado parcerias com o setor privado, incluindo o grupo hoteleiro RIU Hotels & Resorts, promovendo estudos de impacto e a relocalização de ninhos em risco para incubadoras protegidas.

Apesar dos números recorde de nidificação, um novo estudo divulgado em Fevereiro de 2026, baseado em 17 anos de monitorização (2008-2024), aponta sinais preocupantes quanto à saúde da população. Segundo os investigadores, embora mais tartarugas estejam a chegar às praias, as fêmeas estão a desovar mais cedo, produzem menos ovos e demoram até o dobro do tempo a regressar entre temporadas reprodutivas.

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