
A edição de 2026 da Banderona, considerada a maior e mais duradoura festa tradicional da bandeira na ilha do Fogo, inicia-se hoje, 24 de janeiro, na comunidade de Campanas de Baixo, e prolongando-se até 16 de fevereiro. As festividades decorrem sob a responsabilidade do festeiro principal Pina Barros.
A abertura oficial da festa será marcada por momentos de animação musical, com atuações já confirmadas de Marcos d’Lena, SOS Muchi e Jonatthon, além da participação de DJs.
Como manda a tradição, a Banderona começa com a montagem das barracas e a realização do “pilon” (pilão), no último fim-de-semana de janeiro, culminando com o almoço comunitário e a entrega da bandeira ao festeiro do ano seguinte, na segunda-feira que antecede o Carnaval.
Celebrada em honra de São João Baptista, a festa de Campanas de Baixo ficou conhecida como Banderona por ser a manifestação da bandeira com maior duração em toda a ilha do Fogo. Trata-se da segunda maior festa da ilha, apenas superada pela Festa da Bandeira de São Filipe, realizada entre 25 de Abril e 1 de maio, período que coincide com o Dia do Município e atrai milhares de participantes, incluindo emigrantes e visitantes de outras ilhas.
Com origens que remontam a mais de dois séculos, a Banderona está envolta em lendas populares. Segundo a tradição oral, os habitantes da época afirmavam ouvir, no assobiar do vento, sons semelhantes a tambores e cânticos durante vários dias, acompanhados por relâmpagos e trovões. Um desses fenómenos terá culminado com a queda de um raio numa ribeira frequentada por crianças da localidade.
A festa distingue-se de outras celebrações do Fogo pela sua organização singular, liderada pelo “cordidjeru” (governador), figura central responsável por coordenar e supervisionar todas as actividades. Integram ainda o cortejo cavaleiros, guardiões das bandeiras, um juiz, que em conjunto com o cordidjeru conduz o processo de escolha dos festeiros do ano seguinte, bem como o grupo das “coladeiras”, homens e mulheres acompanhados pelos “caxerus” (tamboreiros).
Outro personagem emblemático é o “refugiado” ou “ladrão”, uma figura simbólica semelhante ao “canisade”, que surge apenas no dia da matança, no último sábado antes do almoço, com a encenação de tentativas de roubo de produtos como carne, mandioca e outros bens.
Nos últimos 30 anos, a tradição da Banderona estendeu-se também à comunidade vizinha de São Jorge. De acordo com os festeiros, a celebração teve início em 1995, quando Mulato de Campanas de Baixo, acompanhado por coladeiras e tamboreiros, levou a bandeira de São João para São Jorge, em homenagem a Nhonhô de Caela, membro do grupo entretanto falecido.
O gesto de amizade e solidariedade, assinalado com um lanche partilhado entre as comunidades, deu origem à comemoração anual da Banderona em São Jorge, organizada ao longo dos anos por vários descendentes de Nhonhô de Caela.












































