Segunda-feira, 16 Fevereiro 2026

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Extensões de cabelo: Estudo alerta para risco de cancro

As extensões de cabelo são um cocktail de substâncias químicas perigosas para a saúde, associadas a um risco acrescido de cancro, desequilíbrios hormonais e distúrbios do sistema imunitário. Esta é uma das conclusões de uma investigação publicada recentemente na revista científica “Environment & Health”.

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As extensões, que podem ser feitas de fibras sintéticas ou materiais de origem biológica como cabelo humano, recebem frequentemente tratamentos químicos para as tornar resistentes ao fogo, impermeáveis ou antimicrobianas. Quando aquecidas e penteadas, libertam estas substâncias para o ar, que podem ser inaladas pelos utilizadores.

O problema agrava-se pela falta de divulgação. “As empresas que fabricam extensões de cabelo nos Estados Unidos raramente divulgam as substâncias químicas utilizadas para obter estas propriedades, impedindo os consumidores de conhecer os efeitos do uso prolongado na saúde”, alertou Elissia Franklin, investigadora do Silent Spring Institute em Massachusetts e uma das autoras do estudo.

Este sigilo é agravado pela ausência de regulamentação sobre o uso de substâncias químicas neste tipo de produtos nos Estados Unidos.

Para identificar as substâncias exatas utilizadas, os investigadores analisaram 43 produtos de extensão capilar muito populares, vendidos em lojas físicas e online nos EUA.

Utilizando uma técnica chamada “análise não dirigida”, a equipa detetou mais de 900 “impressões digitais” químicas. Com recurso a um programa baseado em aprendizagem automática, identificaram 169 substâncias químicas em nove categorias.

Entre elas encontravam-se retardadores de chama, ftalatos, pesticidas, estireno, tetracloroetano e estananos — alguns claramente associados, através da investigação científica, a um risco acrescido de cancro, desregulação hormonal e disfunção do sistema imunitário.

Especificamente, 36 amostras continham 17 substâncias químicas que desregulam as hormonas e podem aumentar o risco de cancro da mama. Quase 10% das amostras continham estananos tóxicos, alguns em concentrações que excediam os níveis estabelecidos por razões de saúde na União Europeia.

Todas as amostras, exceto duas, continham substâncias químicas perigosas. Ambas estavam rotuladas como “livres de toxinas” e correspondiam à verdade, ao contrário de outra amostra que apresentava esta alegação, mas que não estava correta.

Os cientistas alertaram que o cocktail químico presente nas extensões afeta desproporcionalmente as mulheres negras: mais de 70% delas nos Estados Unidos admitem usá-las, em comparação com menos de 10% das mulheres de outros grupos raciais e étnicos. Muitas utilizam-nas por razões culturais, pessoais e de praticidade.

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