
O primeiro dia de operações comerciais da nova companhia aérea cabo-verdiana ficou marcado por cancelamentos e falta de comunicação com os clientes. Dezenas de passageiros ficaram retidos no aeroporto internacional Cesária Évora, em São Vicente, durante horas, sem explicações sobre o voo 7B 121 para a Praia, que acabou por não descolar conforme programado.
A partida, inicialmente agendada para as 08h15, sofreu sucessivos adiamentos com os utentes já na sala de embarque. Passageiros relataram ausência total de representantes da CV Sky no aeroporto para prestar esclarecimentos, obrigando-os a acompanhar as alterações apenas através do painel eletrónico de voos.
Aldemir Rocha, um dos afetados, disse sentir-se desrespeitado pela situação. O passageiro aguardou quatro horas no aeroporto sem receber qualquer informação direta da companhia, apenas instruções para continuar à espera. “Não há voo, ok, é normal, mas devem dar alguma informação”, criticou.
Maria da Luz Fernandes chegou ao aeroporto às 07h00 com os filhos e permaneceu sem saber o que fazer. A passageira queixou-se de estar com crianças com fome e defendeu que a empresa deveria ter enviado mensagens a avisar do atraso, permitindo que as famílias ficassem em casa.
O cancelamento afetou uma deslocação internacional da Associação Desportiva Sanjoanense, de Santo Antão. Parte da equipa já se encontrava na Praia, mas outro grupo ficou retido em São Vicente, correndo o risco de perder a ligação para o Luxemburgo, onde o clube participa num torneio. O dirigente Nilton Reis considerou a situação frustrante e lamentou a falta absoluta de informação.
Passageiros que chegaram ao aeroporto às 06h00 tiveram de regressar à cidade por conta própria, sem assistência alimentar. A CV Sky contactou-os telefonicamente informando que o voo poderia realizar-se à noite, prometendo novo contacto posterior com detalhes.
Entre os retidos estava o secretário permanente do Sintap, Luís Lima Fortes, que deveria reunir-se com trabalhadores na Praia antes de um encontro com o Ministério das Finanças. Jornalistas convocados para uma formação pré-eleitoral da Comissão Nacional de Eleições também ficaram impedidos de viajar.
Os funcionários da CV Handling registaram contactos e informações de alguns passageiros, mas sem capacidade para resolver a situação ou prestar esclarecimentos sobre o cancelamento. O voo São Vicente-São Nicolau, operado pela mesma companhia, também sofreu adiamento.
Fonte: Inforpress












































