
As doenças neurológicas representam cerca de 25% das patologias pediátricas, conforme afirmou hoje, 05, a neuropediatra Ana Isabel Dias, que defende o reforço do diagnóstico e do acesso a medicamentos em Cabo Verde. A especialista do Hospital Dona Estefânia, em Portugal, coordena a segunda fase do projeto de promoção da inclusão de crianças e jovens com deficiências neurológicas, financiado pelo Instituto Camões.
Em entrevista à RCV, Isabel Dias explica que, entre as patologias neurológicas mais frequentes na infância destacam-se a epilepsia, a paralisia cerebral, as doenças neuromusculares, neurometabólicas e neurogenéticas. A médica apontou ainda um conjunto alargado de perturbações do neurodesenvolvimento, como o autismo, o défice de atenção e hiperatividade, e dificuldades específicas de aprendizagem.
Apesar dos progressos registados no país, Isabel Dias considera que ainda persistem desafios importantes no diagnóstico e tratamento destas doenças. Um dos principais prende-se com o acesso à ressonância magnética, exame essencial para identificar várias patologias cerebrais.
Ademais, a especialista destaca dificuldades no acesso a alguns medicamentos antiepilépticos, que, segundo diz, certos fármacos ainda não integram a lista nacional de medicamentos e outros enfrentam, por vezes, ruturas de stock.
A médica alerta ainda que os doentes com epilepsia não podem interromper a medicação e salienta que muitos destes medicamentos têm custos elevados, o que dificulta o acesso para algumas famílias.
Ainda assim, Isabel Dias fez um balanço positivo das missões de neuropediatria realizadas em Cabo Verde ao longo dos últimos 15 anos, sublinhando que o país registou avanços significativos na área da saúde infantil.
Depois de uma primeira etapa na cidade da Praia, a equipa portuguesa concluiu mais uma missão no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, onde promoveu uma reunião clínica dedicada às doenças neurocutâneas.
A iniciativa reuniu médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas, profissionais da educação e cuidadores, com o objetivo de reforçar a partilha de conhecimentos e melhorar o acompanhamento de crianças com doenças neurológicas.












































