Quarta-feira, 11 Março 2026

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Dia da Mulher: Sociólogo defende mais igualdade de género

O sociólogo e membro da direção da Rede Laço Branco, Paulino Moniz, defende que a sociedade cabo-verdiana precisa de desconstruir os papéis de género tradicionais para alcançar uma igualdade efetiva entre homens e mulheres. Em declarações ao jornal Voz do Arquipélago, este domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o especialista apela a uma reflexão profunda sobre as desigualdades que persistem em Cabo Verde.

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Para Paulino Moniz, a data não deve resumir-se a gestos simbólicos. “Do que vale oferecer uma flor hoje e amanhã a mulher sofrer violência por parte de quem ela mais ama”, afirma o sociólogo, sublinhando que a verdadeira mudança exige uma transformação de mentalidades, tanto nos homens como nas mulheres.

O especialista destaca que a noção de género não implica apagar as diferenças biológicas entre homem e mulher, mas garantir igualdade de acesso, de benefícios e de controlo sobre os recursos da sociedade. “Somos diferentes, mas não somos desiguais”, defende.

Segundo Moniz, o cenário é preocupante. Na esfera política, nove em cada dez cargos são ocupados por homens. No que diz respeito à carga de trabalho, a mulher acumula o dobro das horas, entre as tarefas domésticas, os cuidados à família e o trabalho remunerado fora de casa.

A violência também emerge como um tema central. Paulino Moniz recorda que a maioria dos casos de violência doméstica contra a mulher ocorre dentro do próprio lar, cometida por alguém com quem a vítima partilha uma relação afetiva.

A nível global, uma em cada três mulheres é vítima de abuso sexual. O sociólogo vai mais longe e partilha a sua experiência profissional. “De cada duas meninas que já atendi, uma relatou episódios de abuso sexual e o sofrimento que isso deixou na sua vida”.

Daí, Paulino Moniz apela a que toda a sociedade (famílias, igrejas, escolas e demais instituições) assuma a responsabilidade de promover a igualdade e a equidade de género. O mês de março, que em Cabo Verde celebra também o Dia da Mulher Cabo-Verdiana no dia 27, deve ser, segundo o especialista, um momento de análise e questionamento coletivo.

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