
As fortes chuvas registadas na ilha de São Nicolau na passada sexta-feira, 5 de dezembro, provocaram danos consideráveis em várias localidades, deixando vias intransitáveis, habitações em risco e destruição de propriedades agrícolas. As zonas de Ribeira Prata e Fragata, no município do Tarrafal, foram as mais afetadas pelas enxurradas.
As precipitações intensas isolaram ainda as localidades de Fragata, no município do Tarrafal, Carriçal, Covoada e Pico Agudo, no município da Ribeira Brava, criando uma situação de emergência que mobilizou as autoridades locais e o Governo central.
A estrada que liga Ribeira Prata à Fragata encontra-se intransitável desde as fortes chuvas, impedindo a circulação e o acesso às comunidades. O presidente da Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau, Neivo Araújo, garantiu, em declarações à Inforpress, que está a ser realizada uma intervenção urgente para repor a circulação.
“Nós vamos fazer a intervenção para dar acesso não só à parte de cima de Ribeira Prata, mas também à Fragata. Já entrámos em contacto com a empresa que construiu a estrada e outras empresas e com a população, porque esta também está junta, e hoje vamos trabalhar para repor a normalidade”, afirmou o autarca.
A Câmara Municipal está a mobilizar-se para garantir a atenção e o apoio necessários à recuperação da economia local e das famílias afetadas. Segundo o edil, o foco é ajudar as pessoas a reconstruir as propriedades agrícolas após as perdas causadas pelas enxurradas.
Neivo Araújo sublinhou que, apesar de a chuva em dezembro ser atípica, a câmara e o Governo estão a trabalhar em conjunto para garantir que a população tenha todo o apoio necessário, tal como aconteceu durante a recente tempestade Erin.
O presidente da câmara identificou a falta de equipamento próprio para desassoreamento de diques e ribeiras como um ponto de estrangulamento que agrava o impacto das enxurradas no município.
Neste sentido, anunciou que o Governo está a apoiar a autarquia na aquisição de uma escavadeira hidráulica (giratória) no valor de 20 mil contos, entre dezembro e janeiro, o que vai “reduzir a dependência” do setor privado para as intervenções de emergência.
O surgimento de chuvas fortes em dezembro, que a população local refere nunca ter ocorrido com esta intensidade, está, segundo o presidente da câmara, associado às mudanças climáticas, o que traz uma grande preocupação, especialmente no que toca à habitação.
“Esta é uma grande preocupação da autarquia”, afirmou Neivo Araújo, manifestando angústia com as famílias que estão “a passar mal dentro de casa”. O edil destacou que a habitação será uma das prioridades do seu mandato, dada a vulnerabilidade de muitas residências face a fenómenos climáticos extremos.
As autoridades locais continuam a trabalhar na recuperação das infraestruturas danificadas e no apoio às comunidades afetadas, numa resposta coordenada entre a Câmara Municipal e o Governo central.












































