
Cabo Verde registou uma diminuição no número de casos de tuberculose, passando de 156 em 2024 para 123 em 2025, anunciou hoje a coordenadora nacional do Programa de Luta contra a Tuberculose e Lepra, Marta Freire.
Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial da Tuberculose, a responsável classificou a redução como um “ganho importante”, sublinhando que a tendência decrescente da incidência da doença tem sido consistente ao longo dos últimos anos no país.
Segundo os dados apresentados, dos 123 casos registados em 2025, a maior concentração continua a verificar-se no município da Praia, com 49 ocorrências, seguido da ilha de São Vicente, com 39 casos. A faixa etária mais afetada situa-se entre os 35 e os 44 anos, sendo os homens os mais atingidos.
Marta Freire destacou que a tuberculose vai além de uma doença estritamente médica, estando fortemente associada a fatores sociais como o consumo de álcool e drogas, a sobrelotação habitacional e problemas nutricionais.
De acordo com o relatório do programa nacional, a taxa de incidência tem vindo a diminuir na última década, passando de 45 casos por 100 mil habitantes em 2015 para cerca de 30 casos em 2024, evidenciando progressos significativos no controlo da doença.
Apesar destes avanços, a responsável alertou que a erradicação da tuberculose continua a ser um desafio global. Ainda assim, Cabo Verde já alcançou metas iniciais da estratégia internacional, com reduções relevantes tanto na incidência como na mortalidade.
No domínio do diagnóstico, o país será reforçado a partir de abril com novos equipamentos Xpert, tecnologia que permite detetar a doença em poucas horas, melhorando a capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Quanto ao tratamento, foram assinalados avanços com a introdução de terapias orais para casos multirresistentes e regimes preventivos mais curtos, facilitando a adesão dos pacientes. No entanto, Marta Freire chamou a atenção para o abandono precoce do tratamento, que dura em média seis meses.
“Muitos doentes interrompem o tratamento ao sentirem melhorias iniciais, o que pode comprometer a cura e favorecer o desenvolvimento de resistência”, explicou, assegurando que o tratamento é gratuito e acessível em todo o território nacional.
A vacinação BCG continua a ser administrada à nascença, garantindo elevada proteção contra formas graves da doença. No âmbito do Plano Estratégico 2023-2027, as autoridades sanitárias definiram como prioridades a redução da mortalidade, o reforço do diagnóstico precoce e a mitigação do impacto socioeconómico da doença nas famílias.












































