
Cabo Verde é o país da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) melhor classificado no Índice de Perceção da Corrupção (IPC) de 2025, divulgado hoje, 10 de fevereiro, pela organização não-governamental Transparência Internacional, enquanto a Guiné Equatorial surge como o país lusófono com pior classificação.
O relatório avalia 182 países e territórios numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro). Cabo Verde obteve 62 pontos, mantendo-se acima da média global, seguido de Portugal, com 56 pontos, sendo os únicos dois países da CPLP a ultrapassarem a barreira dos 50 pontos.
Os restantes países lusófonos apresentam desempenhos abaixo desse patamar, com Timor-Leste (45) e São Tomé e Príncipe (43) a liderarem o grupo intermédio, seguidos do Brasil (35) e de Angola (32). Guiné-Bissau e Moçambique registaram ambos 21 pontos, enquanto a Guiné Equatorial ficou na última posição da CPLP, com 15 pontos.
A Transparência Internacional alerta que a média global do índice desceu para 42 pontos, a primeira queda em mais de uma década, sublinhando que “122 dos 182 países analisados obtiveram pontuações inferiores a 50”, o que demonstra dificuldades generalizadas no controlo da corrupção no setor público.
Apesar de alguns progressos registados ao longo da última década, nomeadamente em Angola e Timor-Leste, a organização considera que persistem desafios estruturais significativos. Em relação a Moçambique, o relatório refere uma deterioração acentuada, apontando que “os dados oficiais indicam um aumento expressivo de casos de corrupção nos últimos anos”.
O documento destaca ainda o papel fundamental da sociedade civil e da imprensa livre no escrutínio da ação governamental, alertando para os riscos enfrentados por jornalistas que investigam casos de corrupção em vários países, incluindo o Brasil, considerado “um dos contextos mais perigosos para este tipo de cobertura”.
François Valérian, presidente da Transparência Internacional, afirma que a investigação e experiência da ONG como movimento global de combate à corrupção” mostram que existe um plano claro de como responsabilizar o poder pelo bem comum, desde processos democráticos e supervisão independente até uma sociedade civil livre e aberta”.
A organização apela aos Governos e aos líderes para que atuem com integridade e cumpram as suas responsabilidades para proporcionar um futuro melhor às pessoas em todo o mundo.












































