Terça-feira, 03 Março 2026

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Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé apostam na ciência marinha

Técnicos de Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe reuniram-se esta segunda-feira no Instituto do Mar (IMar), em São Vicente, para lançar as bases de um Centro de Excelência em Ciências Marinhas e Biodiversidade, sob a égide da UNESCO. 

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A iniciativa visa reforçar a capacidade científica dos três Pequenos Estados Insulares e apoiar o desenvolvimento sustentável da economia azul.

De acordo com a chefe da Secção para os Pequenos Estados Insulares da UNESCO, Zulmira Rodrigues, a criação do centro responde às vulnerabilidades estruturais enfrentadas pelos três países, associadas à sua condição insular e à limitação de recursos institucionais e humanos. “Os três países enfrentam vulnerabilidades inerentes aos Pequenos Estados Insulares e pertencem ainda a uma minoria linguística, o que diminui o acesso a capacitações na área científica a nível mundial”, afirmou.

A responsável explicou que a secção dos Pequenos Estados Insulares da UNESCO, em Paris, em articulação com o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (Undesa), decidiu avançar com um projeto especial destinado a fortalecer a investigação e a formação académica nos três países.

“A nossa secção, juntamente com o Undesa, decidiu criar este projeto especial para capacitar e apoiar os países no desenvolvimento da capacidade científica para investigação e formação académica, de forma a sustentar as ambições da economia azul e ajudar a melhor compreender o impacto das mudanças climáticas”, explicou.

O modelo proposto prevê a definição de três áreas prioritárias, cabendo a cada país escolher aquela em que dispõe de melhores condições para desenvolver investigação e formação, para garantir que os resultados beneficiem igualmente os parceiros regionais.

“A ideia é criar um centro que sirva os interesses nacionais e que facilite a capacitação dos outros países da região. Enquanto Pequenos Estados Insulares, há limitações de capacidade institucional, humana e financeira, pelo que se impõe a criação de estruturas regionais de colaboração para incentivar o desenvolvimento”, sublinhou.

O processo está a ser liderado, por parte de Cabo Verde, por Yara Rodrigues, técnica do IMar. Segundo a representante da UNESCO, o país deverá assegurar uma estrutura mínima de recursos humanos e infraestruturas físicas, contando simultaneamente com contributos externos para reforçar a capacidade técnico-científica.

“Cabo Verde tem de apostar numa estrutura mínima de recursos humanos e estrutura física, mas, ao mesmo tempo, queremos reforçar essa capacidade com contributos externos”, acrescentou.

Nesse âmbito, a UNESCO mobilizará a sua rede global de mais de 700 cátedras e redes universitárias. Está igualmente prevista a participação de universidades lusófonas de Portugal e do Brasil, bem como de universidades e centros de investigação da Alemanha e de Espanha, que complementarão os recursos disponíveis nos três países.

Quanto ao financiamento, a UNESCO e o Undesa disponibilizarão verbas iniciais para o arranque do projeto, encontrando-se em curso a mobilização de outros parceiros internacionais, entre os quais o Luxemburgo.

O projeto enquadra-se nas diretrizes da Década das Nações Unidas da Ciência para o Desenvolvimento Sustentável e da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, ambas lideradas pela UNESCO.

Foto: Inforpress

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