
Cabo Verde e Senegal estão a reforçar a cooperação económica estratégica, com foco na importação direta na origem e na melhoria do transporte marítimo, com o objetivo de reduzir os custos de produtos essenciais como alimentos e cimento.
A iniciativa foi debatida esta quarta-feira, na cidade da Praia, durante a visita de uma delegação empresarial senegalesa à Câmara de Comércio de Sotavento (CCS).
O presidente da instituição, Marcos Rodrigues, considerou o encontro como um marco na redefinição da política de importação do país, defendendo o aproveitamento da proximidade geográfica e da capacidade produtiva do Senegal, em detrimento de mercados intermédios mais distantes.
Segundo explicou, esta aproximação resulta também de contactos anteriores, incluindo uma missão empresarial cabo-verdiana ao Senegal, e visa intensificar as relações comerciais, sobretudo no sector alimentar, tendo em conta os constrangimentos registados no abastecimento nacional em determinados períodos.
Como exemplo dos impactos já verificados, Marcos Rodrigues destacou a redução de cerca de 25% no custo do cimento no mercado cabo-verdiano, após o início das importações a partir do Senegal.
A facilitação do transporte marítimo surge como uma das principais prioridades, uma vez que a inexistência de ligações regulares, eficientes e a custos acessíveis continua a limitar o fluxo comercial entre os dois países, apesar da curta distância que os separa.
Neste contexto, a presença de operadores do sector marítimo na delegação senegalesa é vista como um passo importante para encontrar soluções que permitam melhorar a ligação entre Dacar e Praia.
O responsável sublinhou ainda o papel crescente dos empresários na dinamização destas relações, defendendo, no entanto, uma maior intervenção das autoridades públicas, sobretudo ao nível dos portos e das alfândegas, para facilitar os processos.
Por sua vez, a directora-geral do Conselho Senegalês dos Carregadores (COSEC), Ndeye Thiam, afirmou que a missão se insere nas orientações das autoridades senegalesas para reforçar uma relação ainda pouco explorada, apesar da proximidade geográfica entre os dois países.
A responsável destacou a complementaridade entre as economias, sublinhando que o Senegal dispõe de uma produção significativa de bens que Cabo Verde necessita de importar.
Relativamente ao corredor marítimo entre Dacar e Praia, indicou que a ligação já existe, mas que a sua regularidade depende de uma melhor articulação entre operadores e do aumento do volume de carga.
“É um desperdício depender de mercados distantes quando apenas 500 quilómetros nos separam”, afirmou.
A missão empresarial prossegue com encontros entre empresários e visitas institucionais, visando identificar constrangimentos logísticos e criar condições para uma cooperação económica mais dinâmica e estruturada entre os dois países.












































