
O primeiro Encontro Nacional de Saúde, que decorreu durante três dias em Santa Maria, na ilha do Sal, encerrou esta quinta-feira com um forte apelo ao reforço da prevenção, da proximidade aos utentes e da humanização no atendimento, com especial enfoque nas doenças crónicas não transmissíveis.
Entre as principais recomendações do encontro destacam-se o reforço da medicina geral e familiar, a formação contínua dos profissionais de saúde, a expansão da telemedicina e uma mudança de paradigma no conceito dos cuidados paliativos.
O terceiro e último dia do encontro foi marcado por painéis dedicados ao impacto e à prevenção das doenças não transmissíveis, à inovação nos cuidados paliativos e à gestão das doenças crónicas, áreas consideradas prioritárias para a sustentabilidade do sistema nacional de saúde.
Nas conclusões, os participantes defenderam o fortalecimento da medicina familiar e da telemedicina, com vista à redução das evacuações, bem como a abertura da medicina online a operadores privados e a redes internacionais de prestadores, incluindo a realização de teleconsultas e o reforço da assistência domiciliária.
Foi igualmente recomendada a digitalização dos processos e a utilização de sistemas informatizados, de modo a melhorar a deteção precoce de riscos, garantir a continuidade dos cuidados e promover um envelhecimento activo e saudável.
Outro dos pontos centrais prende-se com a expansão e institucionalização dos cuidados paliativos e da recolha de amostras ao domicílio, garantindo cuidados humanizados, gratuitos e contínuos às pessoas idosas e acamadas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a redução dos encargos familiares.
Durante o encerramento, o presidente da Câmara Municipal do Sal apelou à mudança de estilos de vida como forma de prevenir as doenças crónicas não transmissíveis, sublinhando a evolução da esperança média de vida em Cabo Verde ao longo das últimas décadas e alertando para o impacto do consumo excessivo de álcool, sobretudo entre os homens.
A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Anne Lindstrand, destacou as potencialidades e os desafios futuros do país no domínio da saúde, sublinhando que o encontro demonstrou que Cabo Verde “tem visão, capacidade técnica e determinação para continuar a construir um sistema de saúde mais resiliente, moderno e equitativo”.
Por sua vez, o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, considerou que os principais ganhos do encontro foram a aposta na proximidade, na prevenção e na humanização do sistema de saúde, lembrando que entre 65% e 70% das mortes no país estão associadas a doenças não transmissíveis.
A diretora nacional de Saúde e organizadora do evento, Ângela Gomes, apontou como ganhos fundamentais a reflexão conjunta sobre os desafios do sector, a partilha de boas práticas a serem replicadas nas estruturas de saúde e o alinhamento nacional ao nível da planificação e padronização dos instrumentos de gestão.
Entre as recomendações finais consta ainda a criação de um Museu de Antiguidades e Saúde, destinado a preservar instrumentos, documentos, registos e testemunhos que retratam a evolução das práticas médicas e das campanhas de saúde pública em Cabo Verde.












































