
Cabo Verde vive “um momento crucial” na consolidação da ciência, ao acolher a primeira formação no âmbito das Orientações de Boas Práticas em Ensaios Clínicos e Diretrizes de Boas Práticas Clínicas, traduzidas para português, destinadas aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A afirmação foi feita pela presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, à margem da cerimónia de abertura do evento, sublinhando que a escolha do país representa “motivo de satisfação e orgulho”.
Segundo a responsável, a realização desta formação em Cabo Verde marca a divulgação inédita, em língua portuguesa, de guias e diretrizes internacionais sobre ensaios clínicos e boas práticas, reforçando as bases já existentes no país, como a Agenda Nacional de Investigação para a Saúde, a revista científica nacional e a realização de congressos na área.
A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Ann Lindstrand, destacou a importância da iniciativa, enquadrando-a nas celebrações do Dia Mundial da Saúde 2026, sob o lema “Juntos pela Saúde ao lado da Ciência”. “A investigação clínica é um dos pilares centrais da saúde pública”, afirmou, acrescentando que ensaios clínicos éticos e de qualidade são fundamentais para melhorar práticas médicas, fortalecer os sistemas de saúde e ampliar o acesso à inovação.
Por sua vez, o coordenador da Plataforma Lusófona de Investigação Clínica e Biomédica, Carlos Almeida, explicou que a formação integra um programa mais amplo que será levado a todos os PALOP. Após Cabo Verde, a iniciativa passará ainda pela Guiné-Bissau este ano e, em 2027, por São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. O programa visa reforçar competências técnicas, éticas e regulamentares na área da investigação clínica, com impacto directo na comunidade científica dos países lusófonos.
A cerimónia de abertura foi presidida pelo José Maria Neves, que enalteceu a iniciativa como um passo importante para capacitar os PALOP e garantir padrões internacionais de qualidade na investigação biomédica. O Chefe de Estado destacou ainda o contributo do professor Fernando Regateiro, sublinhando o seu papel na cooperação com Cabo Verde, nomeadamente na formação de profissionais de saúde e no apoio a doentes em áreas críticas.
A formação, promovida no âmbito da Plataforma Lusófona em Investigação Clínica e Inovação Biomédica, reúne especialistas e académicos e pretende fortalecer a produção de conhecimento científico, essencial para orientar políticas públicas de saúde num contexto de transição epidemiológica no país.












































