
O técnico do departamento de poluição marinha da Biosfera, Hércules Sousa, afirma que a associação retira anualmente cerca de 60 toneladas de lixo numa extensão de apenas três quilómetros da costa de Santa Luzia, concentrando as operações na Praia dos Achados, a zona de maior nidificação de tartarugas marinhas na ilha.
Hércules Sousa, revela que a organização mantém 11 caçambas construídas com materiais encontrados na costa para armazenar os resíduos até conseguir removê-los da ilha, mas existem áreas onde “é praticamente impossível caminhar sem pisar no lixo” e onde a intervenção humana ainda não chegou.
As caçambas funcionam como medida de contenção para que, quando houver uma solução para remover o lixo da ilha, este esteja concentrado num único local. Hércules Sousa explica que, além do lixo à superfície, existe muito lixo debaixo da areia.
“Antes de fazer as caçambas, cavamos buracos para que fiquem mais firmes e não sejam derrubadas pelo vento. São construídas com madeira que chega à praia e é recolhida três dias antes das campanhas de limpeza”, explica o técnico, acrescentando que, antes de cada campanha, uma equipa amplia a capacidade das caçambas para evitar a necessidade de construir novas.
A única vez que conseguiram remover lixo da ilha foi durante a passagem do navio ‘Plastic Odyssey’, quando retiraram 300 quilogramas de resíduos das praias que foram levados para o barco e reciclados. A tripulação produziu barras e fabricou cadeiras, duas das quais se encontram no acampamento da Biosfera.
Hércules Sousa aponta que esta é uma forma de resolver o problema dos plásticos mais leves na praia, mas o maior desafio continua a ser a grande quantidade de redes e materiais de pesca que chegam a Santa Luzia.
“As redes e materiais de pesca são os resíduos que mais encontramos aqui, e ainda não encontramos uma solução para transformá-los”, afirma o técnico.
O responsável alerta ainda que a ação do sol e do mar sobre o lixo resulta na formação de microplásticos, que aumentam a cada ano na Praia dos Achados, tornando a sua remoção cada vez mais difícil.
As operações de limpeza iniciaram-se em 2011, tendo a Biosfera realizado a sua maior campanha entre 2019 e 2020. A organização ainda não contabilizou a quantidade total de lixo retirado de toda a ilha porque está a preparar estudos para avaliar se é possível remover todos os resíduos e qual seria o impacto dessa remoção.
Fonte: Inforpress












































