
O Banco Mundial reviu em baixa as previsões de crescimento económico para 2026 na maioria dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com exceção da Guiné-Bissau, ao mesmo tempo que antecipa uma subida significativa da inflação nestas economias.
Segundo o relatório semestral sobre as economias da África subsaariana, divulgado hoje em Washington, a Guiné-Bissau deverá crescer 5,3% este ano, acima dos 5,2% previstos em Outubro de 2025.
Em sentido contrário, todas as restantes economias lusófonas africanas sofreram revisões em baixa. Angola deverá crescer 2,4%, abaixo dos 2,6% anteriormente estimados, enquanto Cabo Verde vê a sua previsão reduzida de 5,2% para 4,8%.
Também São Tomé e Príncipe regista uma revisão significativa, com o crescimento a cair de 4% para 2,9%. Contudo, a maior descida verifica-se em Moçambique, cuja economia deverá expandir apenas 0,9%, muito abaixo dos 3% previstos anteriormente.
Já a Guiné Equatorial deverá manter-se em recessão, com uma contração económica de 3,5%, contrastando com a previsão anterior de crescimento de 0,4%.
O Banco Mundial justifica estas revisões sobretudo com os impactos da guerra no Médio Oriente, que continuam a afetar a economia global e, em particular, os países mais vulneráveis.
No que diz respeito à inflação, o relatório aponta para uma subida generalizada dos preços nos PALOP. Angola deverá liderar, com uma taxa de inflação de 15%, seguida de São Tomé e Príncipe (11%). Moçambique deverá registar 7,5%, Guiné Equatorial 6,2%, Guiné-Bissau 5,8% e Cabo Verde 3,2%.
Em termos médios, os PALOP deverão crescer cerca de 2%, menos de metade da média prevista para a África subsaariana, que se situa nos 4,1%.
O documento revela ainda que cerca de 60% dos países da região registaram revisões em baixa nas suas previsões de crescimento para 2026, incluindo algumas das maiores economias africanas, como Angola, Nigéria e África do Sul.
O Banco Mundial alerta igualmente para o agravamento das condições de vida na região, indicando que quase um terço dos países da África subsaariana terá, em 2026, um rendimento ‘per capita’ inferior ao registado em 2014.
Ainda assim, Cabo Verde surge entre os países com evolução positiva, estando no grupo onde o rendimento real per capita deverá ser pelo menos 45% superior ao nível de 2014.












































