
O Banco de Cabo Verde (BCV) comunicou esta segunda-feira, 24, através de uma nota de imprensa, que não se opõe à aquisição de quase 60% do Banco Comercial do Atlântico (BCA) pela empresa Coris Holding, numa operação que transfere o controlo da instituição financeira cabo-verdiana para mãos africanas. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração do regulador na passada quarta-feira, 20, pondo fim a um processo de análise que se arrastava desde junho.
“O Banco de Cabo Verde (Banco) deliberou não se opor ao projeto de aquisição de 59,81 por cento dos direitos de voto e das ações representativas do capital social do Banco Comercial do Atlântico, S.A. (BCA) pela Coris Holding, S.A. (proposto adquirente e/ou Coris Holding)”, lê-se no comunicado do BCV.
A Coris Holding passa assim a deter 59,81% das ações e dos direitos de voto do BCA, tornando-se o acionista maioritário do banco. Segundo o comunicado do BCV, a operação resulta de um acordo assinado em maio entre a Coris e os anteriores donos do banco: a Caixa Geral de Depósitos e o Banco Interatlântico. O negócio tinha sido previamente autorizado pelo Governo português em março, através de uma resolução do Conselho de Ministros que selecionou a proposta da holding africana como vencedora.
De acordo com a mesma fonte, o processo de aprovação revelou-se complexo devido à dimensão da operação. O BCA é classificado como um banco de importância sistémica em Cabo Verde, o que obrigou o regulador a realizar diligências adicionais para avaliar se o comprador reunia condições para garantir uma gestão sólida.
A estrutura da Coris Holding, com filiais em várias jurisdições africanas, também exigiu uma análise mais aprofundada. O Banco de Cabo Verde, por sua vez, solicitou esclarecimentos complementares ao longo dos últimos meses para dissipar dúvidas sobre a capacidade de supervisão eficaz da instituição após a mudança de controlo.
O comunicado divulgado, esclarece que a avaliação não encontrou indícios que colocassem em causa a idoneidade dos compradores, a sua solidez financeira ou suspeitas de branqueamento de capitais. As questões relacionadas com a supervisão, que inicialmente levantavam dúvidas, foram esclarecidas com documentação adicional apresentada pela Coris.












































