
O Ministério da Saúde descartou, esta sexta-feira, 20, a existência de um surto de infeções por Shigella nas ilhas do Sal e da Boa Vista, e assegurou que a situação se mantém dentro dos parâmetros normais da vigilância epidemiológica. A informação foi avançada na cidade da Praia pelo administrador executivo do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Hélio Rocha, durante uma conferência de imprensa para apresentação dos resultados preliminares de uma investigação técnico-científica.
De acordo com os dados apresentados, não foram detetadas alterações anormais no número de casos de gastroenterites nas duas ilhas, mantendo-se um registo esporádico dentro do esperado para este período. Assim, as autoridades de saúde garantem que não há evidências de qualquer surto ativo.
A investigação foi desencadeada após informações, no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional, indicarem a ocorrência de casos de gastroenterites em turistas europeus que visitaram recentemente o Sal e a Boa Vista.
Para o efeito, foi mobilizada uma equipa multidisciplinar composta por técnicos do INSP, da Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), da Direção Nacional da Saúde, da Inspeção Geral das Atividades Económicas e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No total, foram analisadas 156 amostras, incluindo água de consumo humano, alimentos frescos, superfícies de manipulação, manipuladores, água de rega e amostras clínicas.
Os resultados indicam que a água destinada ao consumo humano não apresenta contaminação. Contudo, foi detetada a presença da bactéria Shigella, concretamente da espécie Shigella sonnei, em amostras de água utilizada na rega e em alguns produtos frescos na cadeia de abastecimento de hotéis.
Segundo Hélio Rocha, esta espécie apresenta maior predominância na Europa, o que levanta a hipótese de uma eventual introdução externa. Análises genómicas em curso deverão permitir esclarecer a origem da bactéria.
Apesar da deteção, o responsável sublinhou que os casos registados são isolados e não configuram um cenário de surto, reiterando que a situação é considerada normal no contexto da vigilância epidemiológica.
Ainda assim, as autoridades sanitárias emitiram um conjunto de recomendações, nomeadamente o reforço dos processos de desinfeção de produtos frescos ao longo de toda a cadeia de produção, importação e distribuição, o aumento da vigilância laboratorial e epidemiológica das gastroenterites e a intensificação das ações de fiscalização junto dos operadores económicos.
Hélio Rocha acrescentou ainda que a infeção por Shigella é tratável com antibióticos e, de um modo geral, apresenta baixa taxa de letalidade.
O Ministério da Saúde reafirma o compromisso com a transparência e a proteção da saúde pública, e garante que continuará a acompanhar a evolução da situação e a adotar as medidas necessárias para salvaguardar a segurança sanitária da população e dos visitantes.












































