
A Associação de Famílias e Amigos de Surdos de Cabo Verde iniciou esta segunda-feira, 23, na ilha de Santiago, um processo de mapeamento da comunidade surda, com o objetivo de colmatar a falta de dados e apoiar a definição de estratégias de inclusão no país.
A presidente da associação, Ângela Lopes, explica que a iniciativa surge da necessidade de conhecer o número real de pessoas surdas em Cabo Verde, uma lacuna que tem dificultado a implementação de políticas públicas eficazes. “O mapeamento, nesta fase, é a nível da ilha de Santiago”, referiu, acrescentando que a associação pretende, posteriormente, alargar o processo a todo o território nacional.
Segundo esta responsável, o trabalho decorre em todos os concelhos da ilha e está a ser desenvolvido de forma faseada, começando com contactos institucionais e avançando posteriormente para visitas diretas às famílias. O levantamento permitirá não só identificar o número de pessoas surdas, mas também compreender as suas condições de vida, necessidades e principais dificuldades, sobretudo ao nível da comunicação.
Ângela Lopes alertou ainda para situações de sub-registo, incluindo crianças que não foram contabilizadas no Censo 2020, bem como casos que continuam fora do alcance das estruturas existentes. “O que nos levou a avançar com este mapeamento foi a falta de conhecimento do número exato de surdos que existem em Cabo Verde”, sublinhou. Entretanto, a responsável defende que dados concretos são essenciais para o desenho de políticas públicas mais ajustadas.
O projeto conta, nesta fase, com financiamento da Assembleia Nacional, embora a dirigente reconheça limitações de recursos e tempo, o que poderá condicionar o alcance total da iniciativa. Ainda assim, a associação pretende abranger todos os concelhos de Santiago, criando uma base de dados que permita orientar futuras intervenções e expandir o mapeamento para outras ilhas.
Paralelamente, estão a ser promovidas formações em língua gestual, abertas à comunidade, bem como ações específicas dirigidas a pessoas surdas não alfabetizadas. “Temos, neste momento, uma capacitação em língua gestual nível 1, aberta a toda a comunidade interessada. A partir de 06 de Abril, iniciaremos uma formação para surdos não alfabetizados, com uma carga horária de 60 horas”, detalhou. A iniciativa visa facilitar a comunicação e promover a integração social, sobretudo de jovens fora do sistema educativo ou sem acesso à língua gestual.
A associação está igualmente a envolver as famílias no processo, considerando-as um elemento central na inclusão da pessoa surda, e sublinha a necessidade de reforçar a capacitação neste domínio. Os dados recolhidos deverão servir de base à criação de projetos e políticas públicas que promovam uma inclusão mais efetiva da comunidade surda, tanto no seio familiar como na sociedade cabo-verdiana.












































