Terça-feira, 20 Janeiro 2026

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Apelos à valorização da história e da democracia no Dia dos Heróis Nacionais

As comemorações do Dia dos Heróis Nacionais, assinaladas esta terça-feira, 20 com a tradicional cerimónia de deposição de flores no Memorial Amílcar Cabral, na cidade da Praia, ficaram marcadas por reflexões sobre a história, a independência e a democracia, feitas por responsáveis políticos de diferentes quadrantes.

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À margem da cerimónia, o presidente da Câmara Municipal da Praia e do PAICV, Francisco Carvalho, sublinhou a importância simbólica da data para Cabo Verde, destacando o seu significado histórico e político. “É uma data de grande importância para a Pátria e para a Nação. É um dia que sintetiza um processo importante na história de Cabo Verde, que foi o processo de libertação, de construção e de consolidação da independência”, afirmou.

Francisco Carvalho realçou ainda que a vivência das datas nacionais pode variar consoante cidadãos e instituições, considerando essa diversidade como um sinal de maturidade democrática. “Em todos os países há várias datas importantes e cada cidadão, cada instituição, cada entidade olha para essas datas da forma como se sente, vivencia-as de forma diferente. Isso é que é liberdade, democracia, esta abertura para aceitar os outros, e a independência serviu também para isso, para construirmos a nossa liberdade”, frisou.

Por sua vez, o primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, destacou a centralidade da figura de Amílcar Cabral no processo de independência, reconhecendo, no entanto, a existência de diferentes leituras históricas. “Para mim, para Cabo Verde, para toda a história desta nação, a independência está muito ligada à figura de Amílcar Cabral. Acho que é consensual, mas não significa que todos a interpretem da mesma forma”, declarou.

Ulisses Correia e Silva defendeu uma leitura abrangente e rigorosa do percurso histórico do país, distinguindo o papel de Cabral do período político que se seguiu à independência.

“A história é constituída por personagens, personalidades, por momentos e acontecimentos, mas a sua interpretação pode ser variada. Temos muito em conta aquilo que foi a figura de Amílcar Cabral, o seu papel libertador na independência de Cabo Verde, e depois tudo aquilo que foi o regime após a independência é algo que não foi protagonizado por Amílcar Cabral”, sublinhou.

O chefe do Governo apelou ainda à valorização da história como forma de transmitir às novas gerações o percurso do país. “Devemos compreender bem a história e valorizar momentos que são importantes, até para as gerações vindouras conhecerem todo o percurso que este país fez em termos de resiliência, de luta e de combates”, concluiu.

A cerimónia contou com a presença de membros do Governo, representantes do poder local, combatentes da liberdade da pátria e cidadãos, num momento de homenagem à memória de Amílcar Cabral e aos heróis nacionais que marcaram a história de Cabo Verde.

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