Quinta-feira, 02 Abril 2026

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2 de Abril: Cabo Verde assinala Dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo com apelos à inclusão

O mundo assinala hoje, 2 de abril, o Dia Mundial de Consciencialização sobre o Autismo, data instituída pela Organização das Nações Unidas, em 2007, para promover a sensibilização sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e combater o estigma que ainda afeta milhões de pessoas.

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A efeméride é marcada por ações de reflexão e mobilização em torno da construção de uma sociedade mais inclusiva, com foco no acesso à educação, saúde, emprego e participação social plena para pessoas autistas e suas famílias.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada 100 crianças no mundo encontra-se dentro do espectro do autismo, embora os números possam variar conforme os critérios de diagnóstico e os contextos nacionais. Já os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indicam que, em 2023, uma em cada 36 crianças foi identificada com TEA, refletindo o aumento da consciencialização e a melhoria dos métodos de diagnóstico.

O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e interação social, podendo incluir comportamentos repetitivos, interesses restritos e sensibilidade a estímulos. A designação “espectro” sublinha a diversidade de manifestações, variando de pessoa para pessoa.

Apesar dos avanços, a OMS alerta que indivíduos autistas continuam a enfrentar discriminação e barreiras no acesso a serviços essenciais, sobretudo em países de baixo e médio rendimento, o que reforça a importância de campanhas como o “Abril Azul”, dedicada à promoção de informação e à redução do preconceito.

Em Cabo Verde, a data é também um momento para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelas famílias. Em declarações à Inforpress, Zuleika Rodrigues, mãe de uma criança com autismo, defendeu maior investimento na inclusão e no conhecimento sobre a condição no país.

Segundo relatou, os primeiros sinais surgiram ainda nos primeiros meses de vida do filho, mas o diagnóstico definitivo exigiu um percurso exigente, incluindo a procura de avaliação fora do país devido às limitações existentes a nível nacional. “A partir dos seis meses percebemos que algo estava diferente e começámos a procurar ajuda profissional”, contou.

Zuleika Rodrigues alertou para a persistência de desinformação sobre o autismo, incluindo a ideia errada de que se trata de uma doença mental, quando, na realidade, é uma condição neurológica que requer acompanhamento especializado.

Apesar de reconhecer o empenho de profissionais como fonoaudiólogos e especialistas em neuropediatria, considerou que a resposta nacional ainda é insuficiente, sobretudo no sistema educativo. “Muitos professores procuram capacitação por iniciativa própria, mas o país ainda carece de formação estruturada, recursos e políticas públicas que garantam a inclusão efetiva”, afirmou.

A mãe defendeu a criação de estruturas específicas para diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo, incluindo centros especializados baseados em metodologias como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), já implementadas noutros países.

Para Zuleika Rodrigues, a inclusão vai além da integração física das crianças nas escolas, implicando a preparação de profissionais e da sociedade para responder às necessidades específicas do espectro.

Neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, deixou um apelo às autoridades e à sociedade cabo-verdiana para reforçarem o compromisso com políticas inclusivas e apoio às famílias.

“O conhecimento transforma o julgamento em acolhimento”, sublinhou, destacando a importância de um apoio estruturado para o desenvolvimento da autonomia das crianças e para a saúde emocional dos seus cuidadores.

SALWEB.cv AD

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