A exibição, que acontece no Espaço Jovem do Centro da Juventude do Porto Novo, está aberta a toda a população e insere-se no âmbito da promoção da cultura, da memória coletiva e do intercâmbio artístico-cultural.
A sessão de hoje em Santo Antão integra a mostra de filmes promovida pela Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV), que conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República. A mostra decorreu em São Vicente nos dias 30 e 31 de janeiro, e prossegue em Santo Antão desde segunda-feira, 2 de fevereiro, até quarta-feira, 4 de fevereiro.
O cineasta Júlio Silva, que se encontra em Cabo Verde para acompanhar as apresentações, marcou presença na estreia em São Vicente, realizada no Auditório Onésimo Silveira da Universidade do Mindelo.
Sobre o filme
Ao contrário do que se poderia esperar, o filme não se centra no naufrágio em si, mas na perspetiva da mãe que perdeu o filho neste acidente ocorrido a 8 de janeiro de 2015, ao largo da ilha do Fogo, e que vitimou 15 pessoas – três passageiros e 12 tripulantes.
“O filme é dedicado à essa mãe, que, tal como o pai, me contou a história entre lágrimas, de uma dor que até hoje está viva”, explicou Júlio Silva à Inforpress, revelando que a história lhe foi contada pelo próprio progenitor em São Vicente.
Entre as vítimas estava um menino de apenas seis anos, que morreu nos braços do pai após longas horas no mar, numa cena que marcou profundamente a memória coletiva cabo-verdiana.
Com uma hora de duração, o filme foi rodado durante dois anos nos mares de São Vicente, Praia e Fogo, percorrendo as ilhas do trajeto feito pelo navio Vicente na noite do acidente.
“Quis fazer essa viagem, saindo de São Vicente, passando pelo Sal, Praia e Fogo para sentir o que as pessoas tinham sentido”, contou o realizador, acrescentando que durante as filmagens encontrou uma sobrevivente do acidente que ainda trabalha no mar e partilhou a sua versão dos acontecimentos.
O elenco conta com cerca de 20 atores, todos cabo-verdianos, que enfrentaram o mar durante as filmagens para dar vida a este drama que mistura realidade e ficção.
A obra convida à reflexão sobre a relação complexa do cabo-verdiano com o mar – elemento que simultaneamente separa e une, que rouba vidas mas é sustento de todo um povo, guardando memórias e moldando a identidade nacional, inspirando mornas e poesias.
Após as exibições em São Vicente e Santo Antão, estão agendadas apresentações na cidade da Praia (na Sala Beijing do Palácio do Presidente da República), Sal e Fogo. O filme seguirá também para a diáspora cabo-verdiana, com sessões previstas no Luxemburgo, Alemanha, Holanda e Inglaterra.