José Baptista de Sousa nasceu em Lisboa a 2 de março de 1904 e morreu a 3 de novembro de 1967. Diplomado em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1927, ingressou, depois do curso militar, no Quadro Permanente de Oficiais Médicos do Exército. Em 1942 foi nomeado para integrar as Forças Expedicionárias a Cabo Verde. Colocado em São Vicente, desempenhou, de 22 de fevereiro a 10 de setembro de 1944, as funções de Director do Hospital Militar Principal de Cabo Verde.
Embora fosse o médico-cirurgião dos militares, tornou-se também o dos civis, pondo a sua ciência ao serviço de quem dela precisasse, sem distinções. Segundo o texto biográfico, salvou inúmeras vidas e reabilitou, com a sua técnica cirúrgica, civis com malformações físicas, nomeadamente casos de pé boto. Recorreu ainda a intervenções terapêuticas até então pouco utilizadas em Cabo Verde, por falta de meios adequados ou de pessoal médico qualificado, atendendo todos “sem olhar a quem”, ricos ou pobres, militares ou civis.
Homenagens do povo do Mindelo
Nos dias que antecederam o seu regresso a Lisboa, Baptista de Sousa foi alvo de várias homenagens por parte da população. Uma das mais significativas foi a oferta de um pequeno iate, construído nos estaleiros navais da Pontinha e batizado “Morabeza”. A embarcação foi custeada por subscrição pública, por iniciativa do industrial Manuel de Matos, dono da Fábrica Favorita, que suportou a maior parte do custo, com a contribuição de toda a cidade.
O médico ficou também ligado para sempre à ilha através da música: as mornas “Dr. Baptista de Sousa”, de B.Léza, e “Ingenher Humano”, de Jòtamont, foram-lhe dedicadas.
Sobre o autor
Adriano Miranda Lima nasceu em São Vicente em 1943 e é coronel reformado do Exército português. Autor de vários artigos e trabalhos de natureza historiográfica, literária e biográfica, publicados na imprensa online e escrita e em revistas, é coautor dos livros sobre a regionalização de Cabo Verde “Os Caminhos da Regionalização” e “Na Encruzilhada da Regionalização, rumo à Descentralização”. Prepara a edição do trabalho “Forças Expedicionárias a Cabo Verde durante a II Guerra Mundial”.
Foi ainda membro ativo do “Grupo de Reflexão da Diáspora”, tendo intervindo em temáticas cabo-verdianas relacionadas com a reforma do sistema político-administrativo e com questões ligadas à língua e à cultura.