Sexta-feira, 10 Abril 2026

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Grupo “Entre Ilhas” abre KJF com ritmos da Macaronésia

A primeira noite do Kriol Jazz Festival 2026, que decorre na Praia de 9 a 11 de abril, ficou marcada pela atuação do grupo Entre Ilhas, liderado pelo músico e produtor cabo-verdiano Adé Costa, residente nas Ilhas Canárias. O conjunto reuniu artistas de várias ilhas da Macaronésia numa fusão de sonoridades que celebra a identidade cultural desta região atlântica.

Para Adé Costa, o projeto vai além da música. “Este projeto não é só música, quer trazer o diálogo em forma de música”, afirmou, acrescentando que a Macaronésia é “uma região lindíssima, mas super vulnerável” e que é “importante trazer isso para a consciência” das pessoas.

A ideia é que a música sirva de ponte entre ilhas que partilham raízes, desafios e uma natureza comum.”Queremos que as pessoas conheçam a Macaronésia pela sua cultura, não pelos seus negócios e pela sua política, mas pelas pessoas. Somos uma família atlântica, com o mesmo sentimento, os mesmos desafios e oportunidades e, sobretudo, a mesma natureza”- Adé Costa.

O álbum Macaronésia Vol. 1 nasceu de uma residência artística de uma semana, onde os músicos trabalharam em conjunto na criação das composições. Adé explica o processo criativo: “Nós levamos um duo, ficámos juntos para produzir as músicas, para trabalhar. Trouxemos elementos de Cabo Verde como base, respeitando a essência, e em cima disso fomos metendo timbre canário, um rajão da Madeira, uma guitarra de 12 cordas.” 

O percurso até este projeto tem raízes longas. Em 2017, Adé já tinha levado a música cabo-verdiana às Canárias. Depois, em 2022, lançou Hello Cabo Verde, um álbum de regresso às sonoridades mais tradicionais da terra natal. “Pensei: já fizemos o primeiro álbum mais para as Canárias, o segundo mais para Cabo Verde – agora é a vez de fazer este projeto entre ilhas na Macaronésia”, contou.

“Ele é um bebé que começa a caminhar. O objetivo é chegar o mais longe possível — levar a música a toda a Macaronésia e pouco a pouco ao mundo”- Adé Costa, sobre o futuro do projeto.

O projeto reúne colaboradores de várias ilhas: Guilherme, Sté, Jocelyn, Nelson Pellivier, Pauline, Júlia, Roberto Muniz, entre outros. Com menos de um ano de vida — completa o primeiro aniversário em maio — Macaronésia Vol. 1 é já uma prova do potencial desta colaboração atlântica.

Quanto ao Kriol Jazz, Adé Costa não escondeu o significado especial de estar neste palco. “O Kriol Jazz é um público diferenciado, que te ajuda a ir para frente, que te faz escutar, um público que te vive com aquele calor humano”, disse emocionado.

Depois de acompanhar o festival desde 2017, subir a este palco representa para ele também “uma prova da evolução de Adé”, nas suas próprias palavras: “Hoje, quase dez anos depois, fiz o Kriol Jazz. Estou super satisfeito.”

A noite ficou ainda marcada pela homenagem ao artista cabo-verdiano Zeca di Nha Reinalda, celebrando os seus 50 anos de percurso musical.

Para esta sexta-feira, dia 10, sobem ao palco a cantora cabo-verdiana Ceuzany, o pianista cubano Alfredo Rodríguez, a brasileira Margareth Menezes e o grupo congolês Les Quatre Étoiles.

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