Atualmente em fase de paginação, a obra estava inicialmente prevista para setembro, mas sofreu um atraso. Germano Almeida mantém, contudo, a expectativa de que chegue aos leitores até ao final de 2026.
“É um livro que atravessa a minha infância e também a vida adulta. Estrutura-se como uma espécie de longa entrevista em que, a propósito do diálogo, vou descrevendo várias situações da minha trajetória.”
O autor, que já publicou mais de duas dezenas de livros, admite que não tem atualmente um novo projeto estabelecido para depois desta obra. Quando começou a publicar, conforme conta, tinha como objetivo chegar aos dez livros. A produção acabou por ultrapassar essa meta e consolidou uma carreira literária com mais de 20 títulos.
Apesar de reconhecer que tem projetos iniciados, Germano Almeida admite que tem sentido menor disponibilidade para lhes dar continuidade. “Se der para escrever mais, muito bem (…) se não der, não tenho qualquer problema com isso.”
O escritor também chamou a atenção para as mudanças no mercado livreiro cabo-verdiano. Segundo Germano Almeida, depois de um período marcado por tiragens elevadas, as vendas diminuíram enquanto os custos de produção aumentaram.
A nova realidade tem levado os autores e editores a adotar tiragens mais reduzidas e decisões mais ponderadas sobre a publicação de livros.
Nascido na Boa Vista, em 1945, Germano Almeida é advogado e uma das principais figuras da literatura cabo-verdiana de língua portuguesa.
A sua obra caracteriza-se pelo recurso ao humor e à ironia e por uma observação atenta da sociedade cabo-verdiana. O reconhecimento internacional ganhou expressão com “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, publicado em 1989 e posteriormente adaptado ao cinema.
Em 2018, Germano Almeida recebeu o Prémio Camões, considerado o mais importante galardão literário da língua portuguesa.
Fonte: Inforpress