Quarta-feira, 08 Julho 2026

Elas no Archipelago

Aidê Carvalho: Dja sabedu nos e kenha!

Não existem palavras capazes de descrever a grandeza dos nossos Tubarões Azuis. Hoje, mais do que nunca, o mundo inteiro sabe quem somos: um povo que, quando se une, não teme enfrentar qualquer desafio ou adversidade. Por ser a nossa estreia no Mundial, muitos pensavam que sofreríamos uma goleada logo no jogo diante da Espanha. Mas enganaram-se. Este país, outrora considerado inviável por muitos, voltou a provar ao mundo exatamente o contrário. Hoje, 51 anos após a nossa Independência, continuamos a escrever páginas inesquecíveis da nossa história. Poucos acreditaram em nós. Deram-nos apenas 1% de chance, mas a nossa fé sempre foi de 100%.

Com talento, determinação e uma fé inabalável, Kevin Pina marcou o primeiro golo de Cabo Verde num Campeonato do Mundo, contra Uruguai. Vozinha conquistou muito mais do que milhões de admiradores no instagram, após defesas memoráveis no confronto frente a Espanha. O nosso guardião da baliza mostrou ao mundo garra e a força do nosso futebol. Sidny Cabral que marcou um golo espetacular no prolongamento contra Argentina, levou muitos a conhecerem as suas origens. Com o pai natural de Calheta de São Miguel, encheu de orgulho todos os cabo-verdianos, particularmente os calhetenses.

 

Dentro das quatro linhas estiveram apenas onze jogadores, mas, na verdade, carregavam consigo um país inteiro e uma imensa diáspora. Em cada disputa de bola estavam representados milhões de sonhos, de esperanças e de corações cabo-verdianos. Bubista, o comandante desta equipa extraordinária, liderou um grupo de heróis e guerreiros, juntamente com tantos outros profissionais que trabalham incansavelmente nos bastidores.

Todos foram fundamentais para levar Cabo Verde ao topo da competição mundial e conquistar o respeito e a admiração do mundo inteiro.

De igual para igual

Depois de somar três empates na fase de grupos, que garantiram a qualificação para a fase a eliminar, no dia 03 de julho enfrentámos a Argentina, uma das maiores potências do futebol mundial. Cabo Verde protagonizou uma exibição de grande nível, levando o jogo até ao prolongamento. Apesar da derrota por 3–2, decidida no tempo extra, deixámos uma excelente imagem, demonstrando força, organização e capacidade para competir de igual para igual com qualquer gigante.

Que orgulho imenso ser cabo-verdiana. Independentemente dos resultados, esta equipa já venceu por vários motivos: uniu um povo, inspirou uma nação e mostrou ao mundo que Cabo Verde nunca desiste de lutar pelos seus sonhos. Caso para dizer que a nossa história  já se encontra escrita no mapa do futebol mundial e  que o mundo também “dja sabi nos e kenha”.

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