Quinta-feira, 11 Junho 2026

Desporto

Cabo Verde já ganhou a Copa do Mundo ─ Rui Tavares

A classificação inédita de Cabo Verde para o Mundial de Futebol 2026 está a despertar paixões e a revelar adeptos dos Tubarões Azuis nos quatro cantos do mundo, nomeadamente em Timor-Leste, que, embora fique “do outro lado” do planeta Terra, tem ligações históricas e profundas com o nosso País, como escreve o historiador português Rui Tavares num artigo publicado ontem, 10, no jornal brasileiro Folha de São Paulo.

Rui Tavares, que é também deputado na Assembleia da República de Portugal, e autor do livro “Agora, Agora e Mais Agora”, começa o seu artigo dizendo que não precisa adivinhar: “eu já sei quem são os vencedores desta edição do Mundial”. A seguir, informa que José Ramos-Horta, vencedor do Prémio Nobel da Paz e presidente de Timor-Leste, declarou publicamente em suas redes sociais que apoia a seleção nacional cabo-verdiana, “mesmo sabendo que isso pode lhe custar votos nas próximas eleições.” 

É que os timorenses são adeptos fanáticos da seleção portuguesa. Como descreve o próprio Ramos-Horta, quando Portugal perde, é quase luto nacional: há euforia, celebrações e desfiles nas ruas durante as madrugadas de Timor-Leste. Ainda assim, o presidente escolheu apoiar Cabo Verde — e a razão vai além da política.

O historiador português diz que “a declaração surpreendeu leitores brasileiros”, e, logo de seguida, o mesmo explica que a decisão do ilustre timorense “tem raízes profundas nos laços que o colonialismo português deixou entre os dois arquipélagos.” É que durante as décadas em que correu o mundo a denunciar o esquecimento a que Timor fora votado, os apoios que Ramos-Horta encontrou “não vieram dos grandes, mas dos pequenos”, nomeadamente Cabo Verde.

Há ainda um detalhe familiar: o avô de Ramos-Horta, deportado de Portugal por ser anarquista, “passou por Cabo Verde antes de chegar a Timor”, conta Rui Tavares. Voz do Archipelago vai mais longe e recorda que o apoio de Cabo Verde não foi apenas do Estado, foi do povo cabo-verdiano. Entre as várias ações de apoio dos cabo-verdianos até os timorenses se tornarem independentees, junto com o conjunto Os Tubarões Cabo Verde cantou a regravação de “Djonsinho Cabral”, feita em homenagem ao líder Xanana Gusmão e à resistência timorense, com um novo título – “Ask Xanana” – e uma nova letra, da autoria do também cabo-verdiano Rui Machado.

Rui Tavares conclui o seu artigo informando que “Ramos-Horta disse que apoiará também Portugal e Brasil”, mas arremata com palavras dirigidas aos Tubarões Azuis: “[…] ao contrário de Brasil e Portugal, Cabo Verde já ganhou esta Copa”.

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