Terça-feira, 12 Maio 2026

11ª Ilha

Projeto ‘Stória pa Mininus’ chega a Lisboa

«O crioulo é a língua da nossa infância, da nossa música, da nossa poesia, da nossa alma. É a língua que nos une, apesar das variantes, porque cada ilha canta diferente, mas todos se reconhecem no mesmo ritmo.», in Manifesto pela oficialização do crioulo Cabo-Verdiano (21 fevereiro 2026)

Entre os dias 9 e 11 de maio, Karolina Abramowicz levou até Lisboa a coleção de livros de literatura infantil traduzidos para crioulo cabo-verdiano. Esta coleção nasce do seu projeto ‘Storia pa Mininus’ que hoje conta com mais dez mulheres que dão vozes às estórias e as transformam em audiolivros.

Karolina Abramowicz tem o primeiro contacto com a língua cabo-verdiana em Portugal, numa residência universitária onde habitava com alunos de Cabo Verde. Vinte anos mais tarde aprende a língua crioula com a linguista Ana Josefa Cardoso, também presente no evento, e uma referência na área da educação bilingue cabo-verdiano. E é desta cooperação que nasce o projeto em 2024.

Neste mês de maio, o projeto entra numa nova fase, a de levar esta iniciativa a comunidades cabo-verdianas em várias partes da Europa, começando por Portugal. A divulgação do projeto na Europa visa principalmente alcançar as comunidades cabo-verdianas emigradas e membros da comunidade interessados na preservação e valorização da língua cabo-verdiana.

Ao longo dos três dias do evento, passados entre o Museu de Lisboa e a Kaza Krioula, pontos de referência da diáspora cabo-verdiana na capital portuguesa, foi possível ter contacto com os livros, audiolivros, materiais informativos e leituras realizadas por crianças. Entre vários momentos especiais, destaca-se aquele em que, pela primeira vez, crianças nascidas em Portugal, filhas de cabo-verdianos, leram em público textos em crioulo.

Entre leituras e conversas na língua cabo-verdiano, gerou-se uma reflexão sobre identidade, transmissão linguística e como o papel da literatura infantil pode contribuir para uma aproximação às novas gerações da diáspora das suas raízes linguísticas e culturais. Prova disso, é a adesão ao evento por centenas de pessoas.

Nota de redação: Este trabalho jornalístico contou com a colaboração da estagiária Bruna Castro. 

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