Terça-feira, 23 Junho 2026

11ª Ilha

Mayor de Brockton: alegado assédio sexual segue sob investigação

O mayor da cidade de Brockton, no Estado americano de Massachussets, viu um juiz revogar uma ordem de restrição por assédio sexual emitida após um incidente ocorrido no Desfile do Dia de Huntington, a 22 de Maio, em que uma menor disse ter-se sentido desconfortável com o comportamento de Moisés Rodrigues. Na sentença emitida nesta segunda-feira, 22, o juiz Scott Peterson disse considerar o testemunho da menina credível e concordou que o alegado toque durante o desfile foi “indesejado, ofensivo e certamente pouco profissional”. O magistrado considerou, no entanto, que o incidente não cumpria os critérios necessários para estender a ordem de restrição.

A defesa da menina de 17 anos de idade, cujo nome não foi divulgado por ser menor, disse que vai continuar a investigar o caso, enquanto o Ministério Público do Distrito de Plymouth confirmou que a Polícia do Estado de Massachusetts está a investigar uma queixa formal apresentada por uma aluna e pelos seus pais contra as Escolas Públicas de Brockton.

O caso aconteceu a 22 de Maio no Liceu de Brockton, quando a estudante actuava com a banda marcial. O incidente, no entanto, só veio a público a 6 de Junho durante a cerimónia de formatura dos alunos no mesmo liceu, quando uma mulher invadiu o campo e começou a gritar com Rodrigues enquanto este discursava. Um vídeo fornecido pela Brockton Community Access Television registou o tenso encontro. “Sabe o que fez à minha filha?”, disse a senhora antes de ser escoltada para fora do local pela polícia.

No tribunal, segundo a imprensa local, a menor contou que Moisés  Rodrigues tocou-lhe na cintura e no ombro e lhe pediu para voltar a tocar uma música. “Ele estava muito perto de mim, deixou-me muito desconfortável, a cara dele estava perto da minha e ele estava a tocar-me de uma forma que me puxava para mais perto”, continuou, sublinhando que tentava afastar-se do mayor  “pela esquerda e pela direita”.

Por seu vez, Moisés Rodrigues disse ao juiz ter mantido contacto com “centenas de pessoas” no desfile, mas negou ter tocado na menina de forma inapropriada. “Acredito que seja possível que lhe tenha posto a mão em cima… culturalmente somos mais afetuosos”, acrescentou o mayor. “Cada vez que se coloca a mão no ombro de alguém ou numa criança, um toque carinhoso nas costas, isso é apropriado”, continuou o mayor, que revelou ter-se dirigido ao liceu após o desfile para pedir desculpas depois de um funcionário do distrito lhe ter dito que uma aluna relatou que ele a tinha feito sentir desconfortável.

“Senti-me péssimo porque, como pai de três filhas e também por ter sempre protegido crianças, não quero que nenhuma criança se sinta desconfortável por algo que eu tenha feito”, afirmou Rodrigues que reforçou  “que não sabia se era um rapaz ou uma menina porque estavam todos com o uniforme completo.” Ele lembrou ainda que na Arquidiocese de Boston desenvolveu programas para proteção de crianças de abusos após o escândalo de abuso sexual na igreja.

Questionado pelo advogado de defesa se seria apropriado que algum funcionário da escola tocasse nos alunos, Rodrigues respondeu que “os toques apropriados são perfeitamente aceitáveis”. E lembrou que, como veterano da Marina, no desfile, reagia à música “Anchors Away”.

À saída do tribunal, o mayor de Brockton, natural de Cabo Verde, disse ter pedido desculpas e que agora quer voltar ao trabalho. “Pedi desculpa pelo que foi percebido como um toque indesejado num desfile, algo que lamento e peço desculpa. Agora estou feliz por tudo ter acabado, para que me possa dedicar à administração da cidade”, concluiu.

A seguir à denúncia, o Comité Escolar de Brockton realizou uma reunião sobre a queixa formal apresentada contra Rodrigues, que também é presidente do orgão, mas não tomou qualquer medida conta o mayor, apesar de haver uma investigação em curso. Em declarações aos jornalistas no final da audiência, o advogado de defesa afirmou que apesar da ordem de restrição ter sido levantada, o caso não terminou.  “Vamos continuar a investigar”, disse Alex Grant, que acrescentou  querer falar com mais pessoas que presenciaram o incidente.

A Polícia do Estado de Massachusetts está a investigar uma queixa formal contra o mayor apresentada por uma aluna e pelos seus pais contra as Escolas Públicas de Brockton.

A nossa Redacção contactou Moisés Rodrigues, mas até agora não houve qualquer resposta.

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